Hilda Basília Franco, aos 52 anos, enfrenta um período desafiador em sua vida após ter as portas do mercado de trabalho fechadas. Diagnosticada com síndrome do pânico e bipolaridade, ela passou a experimentar o amargo sabor do desemprego. Antes, Hilda ganhava a vida como diarista, mas um episódio traumático a levou a limitar suas atividades, fazendo limpezas apenas em uma casa que a aceitou.
A Paciente do Caps (Centro de Atenção Psicossocial) reflete sobre a dificuldade em conseguir um novo trabalho, enfrentando preconceitos e a crença de que sua condição a torna incapaz de atuar em diversas funções. "Muitas vezes fui atrás de um serviço, falava sobre meu tratamento e as pessoas diziam que me ligariam, mas isso nunca aconteceu", conta Hilda, expressando a impotência que sente diante dessa realidade.
Para lidar com essa situação, Hilda decidiu usar suas habilidades com plantas, ensinando a técnica japonesa de plantação chamada kokedama a outros pacientes do CAPS. Ela aprendeu a técnica em um mês, utilizando a internet como fonte de conhecimento, e viu na arte uma forma de distração e um possível caminho para a geração de renda.
O projeto, denominado Viver é Arte, foi idealizado pelas psicólogas do CAPS e tem como objetivo auxiliar os pacientes a se reconectarem com suas capacidades produtivas. Larissa Sales Rocha, psicóloga residente em saúde mental, destaca a importância de oferecer oportunidades para que os pacientes possam desenvolver suas habilidades, ressaltando que muitos estão afastados do trabalho há anos e isso pode gerar sentimentos de menos-valia.
A oficina de kokedama não apenas proporciona aprendizado, mas também atua como um fator de significação na vida dos pacientes, permitindo que se identifiquem com o que fazem. Larissa observa que a inclusão através da produtividade é essencial para resgatar a autoestima de indivíduos que muitas vezes são vistos como inúteis pela sociedade. "Existem diversos preconceitos diante das pessoas que têm complicações relacionadas ao trabalho", afirma. O grupo Viver é Arte, que está completando dois anos, representa uma rede de apoio para aqueles que enfrentam vulnerabilidades socioeconômicas, promovendo um espaço onde a criatividade pode florescer mesmo em meio a desafios.
O dia a dia de Hilda é marcado por essa busca de equilíbrio entre o tratamento e a necessidade de gerar renda. "É bom distrair e deixar a gente mais calmo. Não tem coisa melhor", diz, refletindo sobre a importância da arte em sua vida. Em um cenário onde o desemprego e a saúde mental se entrelaçam, iniciativas como a do CAPS se mostram fundamentais para oferecer suporte e esperança a quem enfrenta dificuldades.




