Adolescentes diagnosticados com transtorno bipolar enfrentam obstáculos significativos para a adesão ao tratamento, muitas vezes devido à falta de reconhecimento da própria condição, resultando no abandono do acompanhamento médico. A psiquiatra infantil Sheila Caetano, professora da Unifesp, destacou a importância desse tema durante o programa CNN Sinais Vitais.
Caetano apontou que o estigma e o preconceito representam barreiras relevantes para o tratamento de jovens com essa condição. Ela observou que, na adolescência, existe a ideia equivocada de que o uso de medicação psiquiátrica pode levar à dependência. "Na adolescência, precisamos sim administrar estabilizadores de humor para evitar episódios futuros", afirmou a especialista.
A psiquiatra enfatizou que um maior número de episódios de desestabilização pode resultar em prejuízos e agravamento da doença. Para mitigar esses efeitos, a recomendação é envolver toda a família no tratamento, evitando a culpabilização do adolescente. "É fundamental não responsabilizar a pessoa por todas as desgraças do mundo, da família e de sua vida, uma vez que está doente", ressaltou.
O psiquiatra Beny Lafer, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do Programa de Transtorno Bipolar do HCFMUSP, alertou sobre os riscos da interrupção abrupta do tratamento. Ele explicou que, em estudos, foi observado que um paciente que interrompe abruptamente o uso de lítio, mesmo após 10 anos de estabilidade, tem 50% de chance de ser hospitalizado por mania em um período de seis meses.
Lafer também destacou que, mesmo com possíveis efeitos colaterais, é crucial que os pacientes consultem um médico para ajustes na medicação em vez de abandonarem o tratamento, já que isso pode agravar significativamente o quadro da doença.
Apesar das dificuldades enfrentadas, os especialistas afirmaram que as pessoas com transtorno bipolar podem levar uma vida plena e produtiva quando seguem o tratamento adequado. Lafer comentou que, quando estabilizados e com uma rede familiar de apoio, os pacientes podem viver de forma saudável e realizada, evitando o uso de drogas, álcool e mantendo uma boa rotina de sono.




