O Brasil é marcado por um Estado de altos custos. A estrutura governamental, que inclui a União, o Distrito Federal, 26 Estados e mais de 5 mil Municípios, resulta em uma máquina burocrática extensa, composta por secretarias, fundações, autarquias e uma infinidade de cargos. Essa configuração gera um ônus significativo ao contribuinte, que arca com bilhões em impostos.
Além disso, os três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — possuem estruturas próprias que também demandam recursos consideráveis. O Executivo, em especial, tem se expandido a cada novo governo, enquanto o Legislativo brasileiro se destaca como um dos mais caros do mundo. O Judiciário, embora fundamental para a proteção de direitos, também apresenta uma organização complexa e dispendiosa. Em última análise, o custo dessa estrutura é suportado pelo cidadão.
Não se defende aqui um Estado enfraquecido; a manutenção da democracia requer investimentos. Contudo, é preciso avaliar até que ponto a máquina pública pode consumir recursos, limitando o que resta para serviços essenciais. A desigualdade salarial entre carreiras públicas e a iniciativa privada é um ponto que gera desconforto. Profissionais do serviço público frequentemente gozam de salários e benefícios que superam os do setor privado, enquanto muitos trabalhadores enfrentam dificuldades, como fechamento de empresas e desemprego.
O retorno dessa elevada carga tributária não se reflete na qualidade dos serviços oferecidos. Para aqueles que adoecem, o conselho geralmente é buscar um plano de saúde, cuja mensalidade pode ser alta. Aqueles que dependem exclusivamente do SUS enfrentam dificuldades para agendar consultas, exames e cirurgias. A situação na segurança pública é semelhante; apesar dos altos impostos pagos, muitos optam por investir em segurança privada, como câmeras e alarmes, devido à falta de confiança nas instituições públicas.
No setor educacional, a realidade se repete. Famílias que conseguem arcar com o custo de escolas particulares fazem isso em detrimento da educação pública, que não atende suas expectativas. A insatisfação é generalizada, com milhões de brasileiros pagando duas vezes pelos mesmos serviços. O resultado é um cenário em que o cidadão se vê obrigado a custear impostos elevados, planos de saúde, educação particular e segurança privada, além de previdência complementar.
Apesar de o Estado arrecadar como se oferecesse serviços de qualidade internacional, a realidade é bem diferente. A insatisfação com a lógica atual é crescente, especialmente quando surgem novos problemas que parecem ser resolvidos apenas com a criação de mais órgãos e cargos, ao invés de buscar eficiência e redução de custos. A proximidade de uma nova eleição geral representa uma oportunidade para discutir não apenas marketing político, mas também o tamanho do Estado que realmente podemos sustentar.




