Militantes fulani se destacaram como os principais responsáveis por mortes relacionadas a conflitos religiosos na Nigéria durante o último ano, conforme relatado pela Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF). A comissão, que monitora as violações à liberdade religiosa globalmente, observa que a censura governamental e as narrativas conflitantes nos meios de comunicação dificultam a análise precisa sobre as identidades e intenções dos grupos armados que atuam no país.
A USCIRF menciona que, apesar de algumas análises atribuírem a violência a fatores econômicos, ambientais ou a uma intenção genocida contra não-muçulmanos, a realidade é que múltiplos fatores, incluindo a religião, estão interligados e impulsionam os ataques perpetrados pelos fulani. Esse grupo étnico, predominantemente muçulmano, representa cerca de 6% da população total da Nigéria, que é de aproximadamente 242,4 milhões de pessoas.
Estima-se que cerca de 30.000 militantes atuem sob a bandeira dos fulani, com grupos variando de 10 a 1.000 membros, principalmente nas regiões noroeste e no Cinturão Central do país. A intensificação das invasões de terras e ataques violentos tem causado severas consequências, afetando diretamente a vida de agricultores cristãos e muçulmanos, resultando em deslocamentos em massa e na perda de terras.
Além de atacar comunidades cristãs, os militantes fulani também têm se voltado contra grupos muçulmanos não-fulani, promovendo a destruição de propriedades, incluindo casas e igrejas. As ações de violência incluem assassinatos, uso de violência sexual e sequestros, afetando líderes e leigos de ambas as religiões. Isso ocorre mesmo após a Nigéria ter sido designada como país de preocupação particular pelo governo Trump em outubro de 2025.
A USCIRF alerta que a região central da Nigéria permanece em uma crise de segurança intensa e contínua, que deve perdurar até que os governos federal e estaduais adotem medidas que criem um ambiente mais seguro para a prática da liberdade religiosa. Essa situação crítica exige atenção urgente para evitar um agravamento ainda maior das tensões e das violações de direitos humanos no país.




