A Corte de Cassação de Roma, a instância judicial mais alta da Itália, agendou para o dia 1º de julho uma nova audiência relacionada ao pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli. O processo diz respeito à condenação da ex-parlamentar no Brasil, onde ela foi sentenciada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, em decorrência de um episódio ocorrido em 2022, quando perseguiu um homem armado pelas ruas de São Paulo durante o período eleitoral.
Em maio, Zambelli foi libertada na Itália após a Corte de Cassação ter negado sua extradição em um outro caso. Naquela ocasião, o advogado de defesa, Fabio Pagnozzi, afirmou que a Justiça italiana havia reconhecido a condição da ex-deputada como "perseguida política" no Brasil. A situação gera complexidade legal, uma vez que envolve não apenas a legislação italiana, mas também as implicações da condenação brasileira.
Zambelli permaneceu detida na Itália desde julho de 2025, em virtude de um julgamento no Brasil que a acusou de suposto financiamento a uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Essa condenação resultou em uma pena total de 10 anos e 8 meses de prisão, o que agrava ainda mais sua situação legal no exterior.
Recentemente, a Justiça italiana declarou que a decisão que anulou a extradição de Zambelli se baseou em fatores como a alegada parcialidade do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que teria sido uma das vítimas do ataque hacker ao sistema do CNJ. Tais considerações levantam questões sobre a imparcialidade do processo judicial que Zambelli enfrenta no Brasil, refletindo a complexidade e as tensões entre os sistemas judiciais dos dois países.
Com a nova audiência marcada, o desdobramento do caso de Carla Zambelli permanece em aberto, e a atenção se volta para como a Corte de Cassação irá decidir sobre a extradição, considerando as implicações legais e políticas envolvidas na situação. O resultado dessa audiência poderá ter repercussões significativas tanto para a ex-deputada quanto para as relações entre Brasil e Itália no que diz respeito à cooperação jurídica internacional.




