A polarização entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a Disney está prestes a ganhar um novo capítulo. Neste mês, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) iniciará a análise da renovação das concessões de oito emissoras da rede ABC, que fazem parte do conglomerado de entretenimento. A situação é marcada por investigações que apuram a abordagem da empresa em relação a programas de diversidade, além das críticas do governo ao conteúdo transmitido pela emissora.
A FCC anunciou que a análise das concessões foi antecipada, mesmo faltando anos para o término de sua vigência. Essa decisão foi tomada em decorrência de uma investigação aberta no ano anterior, que busca determinar se a Disney e a ABC cometeram discriminação em seus programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). Em um comunicado, a agência esclareceu que possui a autoridade para exigir renovação antecipada quando necessário para a condução adequada de uma investigação.
Além da investigação relacionada aos programas de DEI, a FCC também iniciou um processo separado este ano para avaliar se o programa “The View”, da ABC, deve manter a isenção que lhe foi concedida em 2002, a qual desobriga a emissora de oferecer o mesmo tempo de exibição a candidatos de diferentes partidos.
De acordo com o jornal Los Angeles Times, a Disney apresentou um documento em julho no qual alega que a antecipação da análise das concessões é uma ação com motivações políticas. Os advogados da empresa afirmaram que essa retaliação é um alerta para outras mídias: alinhar-se à visão do governo Trump ou enfrentar consequências.
Daniel Suhr, presidente do Centro para os Direitos Americanos, afirmou em uma petição que os direitos da ABC são significativos, mas não se sobrepõem ao direito dos telespectadores. Ele argumentou que a Disney não possui direitos corporativos garantidos sobre as frequências públicas e que a FCC deve conduzir uma análise rigorosa do caso, exigindo respostas completas e promovendo uma audiência.
Em contrapartida, uma coalizão de grupos progressistas, incluindo a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), manifestou-se contra a antecipação do processo de renovação das concessões. Eles alertaram que permitir que a FCC censure comediantes, jornalistas e críticos coloca em risco todos os direitos da sociedade. Essa situação acirra ainda mais o já tenso clima entre o governo e a gigante do entretenimento, refletindo as divisões políticas atuais nos Estados Unidos.




