Nesta quinta-feira (04), um caso lamentável foi registrado na BR-262, nas proximidades de Miranda, onde uma anta e um tamanduá-bandeira foram encontrados mortos no acostamento da rodovia. Os animais, vítimas de atropelamento, chamaram a atenção de especialistas em conservação, que destacaram a importância desses animais para o ecossistema do Pantanal. Gediendson Araújo, pesquisador da Reprocon, organização que trabalha com tecnologias reprodutivas para a conservação de espécies, compartilhou vídeos do ocorrido, lamentando a perda da anta e ressaltando o impacto negativo que esses acidentes trazem à fauna local.
Após a descoberta da anta, a equipe de pesquisa seguiu para um campo de coleta científica relacionado a onças-pintadas. No entanto, em menos de 50 km do primeiro incidente, o grupo se deparou com o tamanduá-bandeira também atropelado. Para contribuir com a conservação genética, foram coletados fragmentos das orelhas de ambos os animais, que serão analisados no laboratório da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Araújo comentou sobre a realidade alarmante da rodovia, referindo-se a ela como a "estrada da morte" para a fauna do Pantanal.
A Reprocon enfatizou a importância de realizar a remoção segura das carcaças no acostamento e na pista, a fim de evitar que outros animais se aproximem e sejam igualmente atropelados. Em abril, foi noticiado que Mato Grosso do Sul faz parte de um livro técnico que aborda a segurança viária e a conservação da fauna, destacando o estado como um dos principais laboratórios para testes de medidas que visam reduzir os atropelamentos de animais silvestres.
A BR-262, em particular, tem se mostrado um local crítico, apresentando altos índices de atropelamentos e concentrando diversos projetos de mitigação. As ações incluem monitoramento pré e pós-implantação de medidas, permitindo a avaliação da eficácia das intervenções. Além da BR-262, outras rodovias no Estado também são alvo de pesquisas, como a BR-163, BR-267, BR-060, BR-487, MS-134, MS-157 e MS-162, que apresentam registros significativos de atropelamentos associados à presença de espécies ameaçadas e à travessia de fauna silvestre.
O Governo do Estado também implementa o projeto "Estrada Viva", que se destina a monitorar os atropelamentos de animais nas rodovias MS-040, MS-178, MS-382, MS-339, MS-345 e MS-450. Essas iniciativas são fundamentais para a preservação da biodiversidade e a segurança viária, buscando minimizar as colisões entre veículos e animais silvestres.




