A Justiça Estadual decretou a prisão preventiva de cinco indivíduos investigados na segunda fase da Operação Auditus, realizada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc). A decisão, proferida pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, revela a estrutura da organização criminosa envolvida em fraudes licitatórias e desvio de recursos na Saúde de Nioaque, no interior de Mato Grosso do Sul. A magistrada destacou a insuficiência de medidas alternativas, como o monitoramento eletrônico, justificando a necessidade de prisão para interromper as atividades do grupo e evitar que interferissem na investigação em andamento.
Entre os presos estão os empresários Robson Roosevelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar, proprietários da Prontomed Clínica Médica. Ambos foram detidos em Bonito e são apontados como financiadores do esquema, que envolvia corromper secretários municipais com pagamentos frequentes de propina. Essa prática assegurava o direcionamento de licitações e a liberação de pagamentos por serviços que não foram prestados.
Tatiane Barbosa de Souza Grubert, gerente administrativa da Prontomed, também foi presa em Jardim. Ela é suspeita de ser responsável pela elaboração de cotações fraudulentas com nomes de empresas concorrentes, visando fraudar a fase de pesquisa de preços nas licitações. Além disso, Tatiane teria atuado na criação de laudos e guias com informações falsas sobre atendimentos médicos, facilitando assim pagamentos indevidos pelo poder público.
A ex-secretária municipal de Saúde de Nioaque, Márcia Cristiane Missioneira Jara, foi detida em sua residência e é acusada de autorizar o empenho e pagamento de faturas fraudulentas. A Justiça alega que a ex-gestora ignorava diversas irregularidades, incluindo assinaturas falsificadas e cobranças em nome de pessoas falecidas.
A operação, que envolveu a Promotoria de Justiça da Comarca de Nioaque, Gecoc e Gaeco, cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em Nioaque, Bonito e Jardim. As investigações identificaram fraudes em licitações para a contratação de serviços médicos, com um potencial dano estimado em mais de R$ 3 milhões entre os anos de 2019 e 2024. O nome 'Auditus', que designa a operação, significa 'audição' em latim, referindo-se a cobranças indevidas de exames, como o teste da orelhinha, que nunca foram realizados.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos investigados. O prefeito de Nioaque, André Guimarães, que se encontra em Campo Grande, afirmou que não houve cumprimento de mandados nas instalações da administração pública.




