As chuvas que ocorreram em Campo Grande nos últimos dias têm gerado grandes transtornos em vários bairros da cidade. No Jardim Morenão, próximo à Rua dos Resendes, moradores estão enfrentando ruas alagadas e o risco de veículos atolarem. O professor de dança Jackson Fernandes, de 38 anos, que reside na região há dez anos, afirma que essa situação é recorrente. "Aqui é sempre assim, já ficou pior ainda. Agora choveu pouco", comentou. Ele destacou que o deslocamento se torna complicado, especialmente para as crianças, que precisam enfrentar o barro para ir à escola.
No Jardim Campo Nobre, na Rua Salvador Henrique Monteiro, a situação não é diferente. O morador Clarindo Alves, de 71 anos, relata que os transtornos se repetem a cada chuva. "Está triste de se ver, toda vez que chove fica assim para pior. Em outra rua ali atrás é a campeã. Eles arrumam só para enrolar a gente. A enxurrada é muito forte. Tem algumas crateras se formando", disse. Esta percepção de descaso é comum entre os moradores da área.
Na Rua Cláudio Coutinho, também na mesma região, o mecânico Fábio Pereira, de 43 anos, menciona problemas históricos com alagamentos e buracos. Ele explica que a rua concentra a água que desce de vias mais altas, como a Avenida Cafezais. "Aqui passa pouca água, mas lá de cima vem toda a enxurrada da Avenida Cafezais. Formam poças e buracos. Uma vizinha teve que fazer uma barricada para não entrar água dentro de casa", contou.
Almira Alves, que vive Na Rua Cláudio Coutinho há 30 anos, revelou que a situação se repete a cada período de chuvas. Ela construiu uma mureta para tentar conter a água, mas ainda assim enfrenta alagamentos. "Na minha casa chega até a varanda. Nos vizinhos da frente, entra dentro de casa. O nível da rua foi subindo com o cascalho e as enxurradas. A água sempre entra. É um sentimento que desanima, porque pagamos impostos e fazem um reparo aqui e ali, mas depois a chuva leva tudo e vira essa piscina", lamentou.
Imagens registradas por Almira mostram seu genro e outro parente retirando água de dentro das casas Na Rua Cláudio Coutinho. A reportagem buscou informações junto à Prefeitura sobre a inclusão dessas ruas no cronograma de manutenção e aguarda um retorno. Dados do meteorologista Natálio Abrão indicam que entre os dias 11 e 14 de junho, Campo Grande recebeu 88,6 milímetros de chuva, um volume que supera em mais do que o dobro a média esperada para todo o mês, que é de 37,7 milímetros.




