O governo da China manifestou, nesta terça-feira (2), a disposição de intensificar a colaboração com o Brasil e outros países da América Latina e do Caribe, em um contexto de tensões diplomáticas com os Estados Unidos. A declaração foi feita pelo chanceler chinês, Wang Yi, durante um encontro em Pequim com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
Wang Yi ressaltou que a China sempre se apresentou como uma parceira confiável para as nações latino-americanas e caribenhas, afirmando que Pequim está "pronta" para aprofundar a cooperação com o Brasil e demais países da região. Ele destacou que as relações entre Brasil e China têm se tornado, nos últimos anos, cada vez mais globais e estratégicas, com uma influência significativa no cenário internacional.
Durante a reunião, o chanceler chinês enfatizou que a cooperação entre os dois países tem avançado em múltiplas áreas. Ele também defendeu a continuidade na construção de uma "comunidade China-Brasil com futuro compartilhado", uma expressão que reflete a intenção de estabelecer uma aproximação política e estratégica mais abrangente com parceiros considerados-chave.
Além disso, Wang Yi mencionou que Brasil e China devem unir forças para enfrentar "diversos desafios externos" e aumentar a coordenação em prol da modernização de suas nações e da unidade do chamado Sul Global. O encontro ocorreu em um momento em que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu a imposição de tarifas de 25% sobre algumas importações brasileiras, como resultado de uma investigação sobre práticas comerciais que Washington considera injustas.
O relatório elaborado pelos EUA aponta que o Brasil apresenta falhas em várias questões, incluindo comércio digital, serviços de pagamento eletrônico e combate à corrupção. Na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA anunciou a classificação de facções brasileiras, como o Primeiro Comando e o Comando Vermelho, em um contexto de crescente tensão entre os dois países.
Wang Yi também reafirmou que o Brasil continuará a seguir o princípio de “Uma Só China”, que reconhece o regime comunista como o governo legítimo tanto da China continental quanto de Taiwan. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, por sua vez, destacou a intenção do Brasil de fortalecer a confiança estratégica com a China, aprofundar a cooperação prática e melhorar a coordenação em fóruns multilaterais.




