Nesta quarta-feira (22), a Câmara Municipal de Campo Grande determinou que a venda do Consórcio Guaicurus para a HP Mobilidade, grupo de Goiás, deve ser acompanhada pela renovação imediata da frota de ônibus. Os vereadores destacaram que apenas a mudança no controle das empresas não será suficiente para sanar as questões crônicas enfrentadas pelo Transporte Coletivo na capital.
A discussão sobre a troca no controle das empresas foi amplamente abordada pelos parlamentares após a divulgação da negociação na terça-feira (21), a qual ainda está sendo analisada pela Prefeitura. Atualmente, a concessionária se encontra sob intervenção administrativa. Os vereadores afirmaram que a eventual troca deve incluir melhorias na qualidade do serviço, modernização do sistema e a adhesão ao contrato de concessão.
O vereador Dr. Lívio Leite, presidente da CPI do Transporte Coletivo e da Comissão Permanente de Transporte e Trânsito, apontou que 235 ônibus já deveriam ter sido substituídos, número que excede os 197 veículos recomendados pela CPI para troca imediata. "O que realmente importa ao cidadão campo-grandense não é quem opera o sistema, mas a garantia de um transporte público digno, eficiente, seguro e compatível com a importância da nossa Capital", afirmou Lívio.
Ele também deixou claro que a reestruturação do transporte não deve implicar em um aumento tarifário para o passageiro. O vereador enfatizou a relevância do Plano de Mobilidade Urbana, que inclui a implementação e requalificação de corredores exclusivos, recapeamento das vias utilizadas pelos coletivos, modernização dos terminais e adequação dos pontos de embarque e desembarque. "Este é o momento de virar definitivamente a página do Transporte Coletivo de Campo Grande", complementou Lívio.
O presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, conhecido como Papy, reiterou que essa possível mudança no controle do consórcio é um desdobramento da investigação realizada pelo Legislativo. Ele assegurou que a Câmara continuará a fiscalizar para garantir que essa mudança traga resultados concretos.
Durante a investigação da CPI, constatou-se que a idade média dos ônibus é superior a 8,59 anos, ultrapassando o limite estabelecido, e que pelo menos 40 veículos estavam parados devido à falta de manutenção. O consórcio reconheceu a necessidade de renovar parte dos 460 ônibus, porém, alegou enfrentar dificuldades financeiras. A CPI, por sua vez, calculou uma depreciação acumulada de R$ 94 milhões entre 2016 e 2024, concluindo que as empresas tinham a capacidade de investir no sistema, mas não o fizeram. "Não adianta transferir essa fatura para a população", afirmou Ana Portela, relatora da CPI.




