Durante uma entrevista ao jornal espanhol El País, o cantor Caetano Veloso expressou sua visão pessimista sobre a situação atual do Brasil, afirmando que o país não pode mais "ser salvo". A declaração foi feita no contexto de sua turnê pela Europa, que inclui uma apresentação em Madri no dia 4 de outubro.
Veloso mencionou que, apesar de sua desilusão, ainda acredita que o Brasil pode oferecer algo significativo ao mundo, ressaltando a importância da música popular brasileira como uma das grandes forças culturais do país. No entanto, ele reconhece que atualmente as coisas estão muito difíceis, refletindo sobre a realidade triste que o país enfrenta.
Embora não tenha abordado diretamente as eleições presidenciais previstas para outubro, o cantor fez considerações sobre a política brasileira. Veloso criticou a normalização de discursos que desejam a volta da ditadura militar, afirmando que essa situação é insuportável para ele. O artista relembrou suas experiências traumáticas durante o regime militar, incluindo sua prisão e o exílio, e como isso moldou sua percepção do mundo.
Ao longo da conversa, Veloso também comentou sobre as críticas que recebeu, tanto de setores conservadores quanto da esquerda. Ele destacou que as críticas da esquerda sempre fizeram parte do debate cultural e, de certa forma, o ajudaram a se sentir mais livre. No entanto, a repressão vivida durante a ditadura teve um impacto profundo em sua coragem.
Em referência à sua autobiografia "Verdade Tropical", publicada em 1997, Veloso recordou que já havia apontado para a necessidade de a esquerda prestar mais atenção às questões raciais, sexuais e comportamentais. Contudo, ele expressou sua preocupação com o que considera uma excessiva ênfase nessas questões atualmente, que, segundo ele, tem gerado confusão no debate cultural.
Caetano Veloso, um dos ícones da música brasileira, continua a refletir sobre o papel do Brasil no cenário global, mesmo diante de um sentimento de desilusão com o atual momento político e social do país.




