A cada nova edição da Copa do Mundo, o Brasil se vê envolto em uma expectativa que transforma adversários em gigantes do futebol. Neste contexto, o Marrocos se apresenta como um desafio forte, com muitos já considerando que um empate seria um resultado aceitável na estreia, que ocorrerá em breve. Essa preocupação revela uma vez mais a chamada síndrome do vira-latas que frequentemente acompanha os torcedores brasileiros.
Historicamente, o Brasil já enfrentou seleções muito mais temíveis em estreias de Copas. Em 1986, por exemplo, o Brasil se deparou com uma Espanha forte, enquanto a campanha do tricampeonato em 1970 teve início contra a Tchecoslováquia, ambos os times considerados adversários difíceis. Em contraste, o Marrocos, apesar de ser visto como um adversário complicado, não possui a mesma tradição de força que as seleções citadas.
A seleção marroquina destacou-se ao vencer a Copa da África, mas tal conquista se deu em circunstâncias que podem ser questionadas. Além disso, o Brasil enfrentou o Marrocos em um amistoso recente, onde a equipe canarinha, sob o comando de Ramon Menezes, saiu vitoriosa, embora com um desempenho modesto e uma formação com jogadores menos conhecidos, como Rony, que atualmente está na reserva do Atlético de Minas Gerais.
Outro ponto que vem sendo utilizado para justificar o temor em relação ao Marrocos é a campanha da seleção no último Mundial, onde obteve o quarto lugar. Entretanto, esse parâmetro é questionável, já que seleções como a Coreia do Sul e a Turquia também alcançaram posições destacadas em edições anteriores, mas não são vistas como potências do futebol mundial.
Especialistas, incluindo comentaristas da VEJA, mencionam que o Marrocos evoluiu desde a última vez que se enfrentou ao Brasil, em 1998, quando sofreu uma derrota por 3 a 0, que marca o primeiro gol de Ronaldo Fenômeno em Copas do Mundo. Embora a evolução da equipe marroquina mereça atenção, a análise do potencial do Brasil deve ser feita com cautela e sem deixar que a síndrome do vira-latas distorça a percepção da realidade. Assim, a expectativa para o embate entre Brasil e Marrocos se mantém, mas é fundamental que a análise sobre o adversário seja feita de forma equilibrada e fundamentada.




