O bispo Marcelo González Amador, que preside a Conferência Episcopal Cubana, revelou que a fome em Cuba tem levado pessoas a buscar ajuda nas paróquias, afirmando que "passaram dias sem comer". Em uma conversa recente com a organização Ajuda à Igreja que Sofre/Espanha, o bispo de 70 anos expressou sua preocupação com a grave crise que afeta o país, enfatizando que "Cuba está sofrendo".
González, que ocupa o cargo de bispo de Santa Clara, relatou que muitos indivíduos têm aparecido nas paróquias, sem saber a quem recorrer. Ele destacou a dificuldade em manter os alimentos frescos devido à escassez de eletricidade, o que tem provocado desmaios frequentes nas igrejas, onde as pessoas se reúnem em busca de apoio. "Tudo é uma luta para sobreviver. O presente é precário; o futuro, totalmente incerto", afirmou, descrevendo o cenário como "o momento mais difícil e triste da história do meu povo que já testemunhei".
Além dos desafios alimentares, a crise também afeta o sistema de saúde. O bispo mencionou que em diversos hospitais, cirurgias estão sendo adiadas por falta de água e suprimentos cirúrgicos. "Conheço mais de um caso em que alguém teve que buscar todos os recursos necessários — até fio de sutura — com familiares ou amigos no exterior para poder fazer uma cirurgia", observou.
González também abordou a preocupação com um possível conflito com os Estados Unidos, ressaltando que o medo da guerra permeia o cotidiano da população. "As pessoas estão falando sobre isso o tempo todo, o que é muito estressante, especialmente para as crianças e idosos", declarou. Ele ainda destacou que nas ruas é comum ouvir cidadãos expressando sua insatisfação, dizendo: "Não podemos mais suportar tanto sofrimento, e não temos para onde recorrer".
Em meio a esse clima de tristeza e incerteza, muitos cubanos buscam a emigração como uma saída. O bispo ressaltou que os que conseguem deixar o país o fazem, resultando em uma nação cada vez mais envelhecida, com uma população composta apenas por idosos que enfrentam dificuldades financeiras e recebem pensões miseráveis.
A falta de eletricidade, , também pôs fim à adoração eucarística noturna, além de contribuir para um aumento significativo nos roubos, tanto nas ruas quanto nas residências. Apesar dessas adversidades, o bispo enfatiza que a Igreja continua a se solidarizar com o povo cubano.




