Nos últimos meses, o governo da Bielorrússia tem intensificado a expulsão de padres estrangeiros, negando a renovação de suas autorizações de residência. No início de março, dois padres da Diocese de Pinsk, localizada no sul do país, tiveram suas permissões negadas, seguidos em maio por três padres da Diocese de Vitebsk, no norte. Ao final do mesmo mês, cinco padres e um monge da Arquidiocese de Minsk-Mohilev também foram afetados por essa medida. Todos os clérigos expulsos eram cidadãos poloneses que atuavam em paróquias bielorrussas há anos, alguns deles por várias décadas.
Esses padres desempenhavam funções importantes dentro da Igreja, ocupando cargos de liderança nas paróquias e no decanato da Arquidiocese de Minsk-Mohilev, que é a sé metropolitana da capital bielorrussa. A expulsão desses clérigos faz parte de uma estratégia mais ampla do governo bielorrusso para aumentar a pressão sobre a Igreja Católica, uma instituição historicamente ligada à Polônia.
A Bielorrússia mantém uma das legislações mais rigorosas para clérigos estrangeiros na região. Para atuar no país, os padres precisam da aprovação do Plenipotenciário para Assuntos Religiosos e Étnicos, um órgão estatal em Minsk sob a liderança de Aleksandr Rumak. Organizações de direitos humanos têm criticado a atuação de Rumak, que frequentemente nega autorizações sem dar explicações e evita dialogar com o clero afetado.
As permissões de residência estão atreladas a paróquias específicas e geralmente são concedidas por um período curto, variando de três a seis meses, com algumas excepcionais de até um ano. A legislação exige que os pedidos sejam submetidos por órgãos religiosos nacionais registrados, um procedimento que se mostra moroso e burocrático. Além disso, os clérigos precisam ter conhecimento de bielorrusso ou russo e são proibidos de realizar atividades religiosas fora das paróquias onde estão registrados, necessitando de autorização governamental para celebrar missas em outras localidades.
O governo bielorrusso também observa de perto as atividades religiosas, considerando os laços da Igreja Católica com a Polônia como um risco político, em vez de uma conexão cultural ou religiosa. Isso se insere em uma estratégia mais ampla de repressão a instituições independentes e à sociedade civil, em um contexto onde a crítica à repressão na Bielorrússia se intensifica, especialmente por parte de Varsóvia, que se posiciona como uma das vozes mais fortes contra o regime de Alexander Lukashenko e suas relações com o Kremlin.




