Belmira Vilhanueva, de 81 anos, é lembrada como a heroína improvável do acidente aéreo do Buffalo C-115-2366, que resultou na morte de 19 militares em Ponta Porã. Ela salvou Shiro Ashiushi, o único sobrevivente, ao encontrá-lo gravemente ferido e levá-lo ao hospital. A tragédia, marcada por neblina intensa, causou grande comoção na cidade e resultou em luto oficial.
Belmira reviveu aquele 18 de setembro de 1974, o dia em que a mais densa das neblinas encobriu Ponta Porã. Ela ouviu um barulho diferente, um estrondo muito forte, e correu para o local, dentro de uma área do Exército, guiada por Deus. Na cena da tragédia, ela viu Shiro no chão, com as pernas quase decepadas e com sangramento na cabeça.
Sem hesitar, Belmira correu em direção ao sobrevivente, conseguiu puxá-lo até perto do asfalto e parou uma caminhonete para levar o ferido ao hospital. No trajeto, acomodou a cabeça do sargento em seu colo. Passados 52 anos, Belmira conta que não se vê como heroína, que tenha agido com bravura ou coragem, mas sim guiada por mãos espirituais.
Belmira conta que bateu à porta do hospital e uma enfermeira veio acudir, depois entrou em cena o doutor Astúrio Marques, um grande mestre na cirurgia e na Medicina. A preocupação dela com o destino do sargento foi registrada na matéria do jornal, publicada em 19 de setembro de 1974.




