O Brasil enfrenta um aumento preocupante na violência sexual contra crianças e adolescentes, conforme revelam dados do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Entre 2014 e 2024, os registros de violência sexual na primeira infância, que abrange crianças de 0 a 4 anos, saltaram de 1.671 para 7.845 casos, um crescimento superior a quatro vezes.
Na faixa etária de 5 a 14 anos, o aumento foi igualmente alarmante, passando de 6.594 para 29.135 notificações no mesmo período. Para os adolescentes entre 15 e 19 anos, os casos de violência sexual também mostraram um crescimento significativo, subindo de 1.632 para 6.869. Esses números indicam uma tendência preocupante em relação à segurança das crianças e adolescentes no país.
Uma análise mais detalhada revela que aproximadamente 66% dos crimes de violência sexual contra crianças até 14 anos ocorrem dentro de suas próprias residências, com uma proporção ainda mais alarmante de 79,9% para crianças de até 4 anos. O estudo aponta que a violência sexual é predominantemente direcionada a meninas, que representam 86,9% das vítimas, enquanto os meninos correspondem a 13,1%.
Os dados mostram que, entre 2014 e 2024, foram registrados 499.744 crimes de violência contra o sexo feminino, o que equivale a 61% do total, em contraposição a 318.594 casos contra o sexo masculino, representando 38,9%. O total de crimes de violência nesse período alcançou 818.679. A violência psicológica também se sobressai, com maior incidência entre meninas (62,9%), enquanto a violência física apresenta uma distribuição mais equilibrada entre os gêneros.
A negligência, por sua vez, demonstra uma leve predominância masculina (53,3%), sugerindo que a relação com as estruturas de cuidado pode influenciar essa dinâmica. O Atlas da Violência destaca que as condições de poder e controle sobre o corpo feminino, assim como as normas de gênero, estão na raiz desse problema.
Além disso, o cenário exige uma abordagem contínua e integrada que envolva prevenção, proteção e intervenção, visando combater a violência ao longo da vida. É fundamental que adolescentes e seus responsáveis busquem apoio em sua rede de contatos, como familiares, amigos e educadores, além dos serviços de saúde disponíveis para atendimento. O Centro de Valorização da Vida oferece suporte emocional e prevenção ao suicídio, com atendimento gratuito e sigiloso disponível 24 horas.



