A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) manifestou preocupação em relação à decisão do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre cerca de 3 mil produtos brasileiros. Essa medida, anunciada na última quarta-feira (15), entrará em vigor em 22 de julho e se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. A entidade considera a ação como um "resultado muito negativo para a relação bilateral" entre Brasil e EUA.
A tarifa imposta atingirá exportações brasileiras que totalizam mais de US$ 11 bilhões, afetando setores industriais e do agronegócio. A Amcham ressaltou que essa restrição coloca o Brasil entre os países com as condições mais severas de acesso ao mercado norte-americano. Além disso, a entidade destacou que, enquanto o Brasil sofre com essas barreiras, os produtos dos Estados Unidos contam com tarifas de importação reduzidas no Brasil, gerando um superávit de US$ 41,8 bilhões para os EUA em bens e serviços em 2025.
Os impactos da nova tarifa não se restringem apenas aos exportadores brasileiros. A Amcham também aponta que a decisão pode prejudicar a economia dos próprios Estados Unidos. A aplicação de sobretaxas pode elevar os custos para empresas e consumidores americanos, reduzindo a competitividade das indústrias que dependem de insumos brasileiros e aumentando a dependência de fornecedores asiáticos. Isso, por sua vez, poderia agravar o déficit comercial dos EUA com países daquela região.
Além disso, a entidade acredita que a medida pode comprometer a cooperação entre Brasil e Estados Unidos em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual. A Amcham observou que a retração do comércio bilateral já acumula uma queda de 13% neste ano, e as novas tarifas podem afetar ainda mais os investimentos entre os dois países.
O presidente da Amcham, Abrão Neto, defendeu a importância de manter os canais de diálogo abertos entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Ele enfatizou a necessidade de trabalhar para a retirada das sobretaxas e para a construção de uma agenda bilateral mais abrangente. Neto também alertou sobre a possibilidade de novas tarifas surgirem a partir da investigação da Seção 301, que pode aumentar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%.
Embora a Amcham tenha considerado positiva a exclusão de uma lista de produtos das novas tarifas, o presidente da entidade defendeu a criação de um mecanismo que amplie a lista de itens isentos, especialmente quando as sobretaxas causarem prejuízos desproporcionais a empresas e consumidores ou não resolverem as preocupações comerciais levantadas pelos EUA.



