Pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão realizaram um estudo sobre a Trionda, a bola oficial da Copa do Mundo de 2026, publicando suas descobertas na revista Applied Sciences. A investigação analisou as propriedades aerodinâmicas deste novo modelo em comparação com os quatro modelos anteriores, destacando as falhas de design da Jabulani, que foi utilizada no mundial de 2010.
Um dos principais aspectos abordados no estudo é a velocidade crítica, que se refere ao ponto em que o fluxo de ar ao redor da bola deixa de ser laminar e se torna turbulento, o que resulta na redução da resistência. A Trionda se destaca por apresentar a menor velocidade crítica entre os modelos analisados, alcançando a estabilidade em apenas 11,9 m/s. Em contraste, a Jabulani se destacou negativamente, com uma transição para o regime turbulento ocorrendo entre 21,9 m/s e 26,9 m/s, velocidades frequentes em cobranças de falta e escanteios. Essa característica da Jabulani resultava em trajetórias irregulares e imprevisíveis durante o jogo.
Outro aspecto importante da evolução dos designs das bolas é a relação entre costuras, painéis e rugosidade. Enquanto a Jabulani contava com oito painéis e costuras rasas de 0,5 mm, a Trionda foi projetada com apenas quatro painéis termocolados. Para compensar a suavidade excessiva, a nova bola apresenta costuras largas de 5,1 mm e profundas de 1,3 mm, além de três sulcos bem definidos em cada painel. Esses elementos são essenciais para a estabilidade da bola em velocidades mais baixas.
As simulações de trajetória realizadas pelos pesquisadores também indicam que as novas características físicas da Trionda impactam seu desempenho em chutes de longa distância. A nova bola apresenta um coeficiente de arrasto mais estável em regime turbulento, embora ligeiramente superior ao das bolas anteriores. Na prática, isso sugere que a Trionda pode ter um alcance reduzido em chutes potentes e sem rotação quando comparada à Jabulani, que permitia distâncias maiores devido à sua menor resistência em altas velocidades.
O estudo conclui que a manipulação da geometria das costuras e da textura das bolas modernas possibilita um comportamento aerodinâmico consistente, corrigindo as instabilidades que foram observadas em edições anteriores da Copa do Mundo. Essa evolução no design das bolas representa um avanço significativo para o futebol, refletindo a busca por melhorias na experiência dos jogadores e na qualidade das partidas.




