A chamada "inclusão digital" é frequentemente apresentada como uma forma de democratizar o acesso ao conhecimento e às diversas ações da vida cotidiana. Entretanto, esse conceito pode ocultar o avanço contínuo do poder econômico e político sobre a autonomia dos cidadãos. Um dos principais campos de atuação desse poder é a digitalização dos serviços bancários, onde o capital financeiro busca eliminar a classe média, reduzindo suas opções de interação e colocando os cidadãos sob sua influência.
A digitalização, que deveria trazer facilidades, acaba por estreitar ainda mais os espaços de atuação da classe média, que já se encontra em uma situação de vulnerabilidade. A extinção de postos de trabalho no setor financeiro, onde os profissionais são submetidos a condições adversas, é um reflexo das metas predatórias impostas por instituições financeiras. Assim, o processo de inclusão digital se aproxima de um ponto crítico, onde a autonomia do cidadão se torna cada vez mais limitada.
A expansão dos "bancos digitais" e a adesão dos bancos tradicionais a esse modelo têm provocado uma diminuição da interação física entre usuários e instituições financeiras. Essa realidade cria uma aliança entre o capital concentrado e as práticas predatórias do ambiente digital, reforçando uma cumplicidade que já se tornou evidente. A segurança, frequentemente utilizada como justificativa para a redução de agências bancárias, acaba por ser um argumento que disfarça a real intenção de ocultar a atuação do capital financeiro.
A diminuição das agências bancárias pode ser comparada a estratégias utilizadas por criminosos, que buscam ocultar suas localizações para evitar a ação das autoridades. Assim, o acesso a serviços financeiros se torna cada vez mais restrito, dificultando a vida do cidadão comum. Nesse contexto, é fundamental que os indivíduos preservem sua liberdade de escolha, priorizando prestadores de serviços que mantenham endereços físicos acessíveis. A transparência em relação à localização dos serviços é um passo importante para garantir a responsabilidade e a identificação dos prestadores.
Diante desse cenário, o papel do cidadão se torna crucial. A defesa da autonomia e da liberdade de ação deve ser uma prioridade, pois a digitalização não pode ser uma justificativa para a redução de direitos e da interação humana. A luta por um espaço onde a liberdade de decisão prevaleça é essencial para garantir que os interesses do grande capital não se sobreponham às necessidades dos indivíduos. A busca por um equilíbrio entre a inovação digital e a preservação da autonomia é um desafio contínuo para a sociedade contemporânea.




