O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), confirmou que os dois homens que trocaram áudios no WhatsApp sugerindo envenenar a água consumida por indígenas do município são servidores das secretarias municipais de Meio Ambiente e Infraestrutura. Em entrevista, ele classificou a situação como "uma vergonha" e afirmou que chamou a atenção dos dois na segunda-feira (26), sem afastá-los dos cargos. Segundo o prefeito, os servidores estavam embriagados e são "bons servidores".
A conversa ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, no domingo (25). Em Tacuru, o presidente eleito obteve 62,19% dos votos, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A população autodeclarada indígena no município é de 4,2 mil pessoas, pouco mais de um terço do total de habitantes, e o território conta com duas Terras Indígenas, Jaguapiré e Sassoró, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Torquetti explicou que o servidor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente atua com lixo reciclável, enquanto o da Secretaria Municipal de Infraestrutura faz manutenção de estradas vicinais, dirige caminhões-caçamba e responde pelos serviços com caminhões-pipa que abastecem as comunidades indígenas. Por precaução, o prefeito afirmou que designará outro servidor para assumir essa função.
Apoiador de Flávio Bolsonaro (PL), o prefeito divulgou um vídeo na segunda-feira em que aparece tomando tereré com uma indígena da comunidade Sassoró chamada Zuleine, que segundo ele tem preferência política contrária. No vídeo, ele pede perdão a ela e aos demais indígenas em nome dos servidores e afirma que a água não tem veneno. "Nos perdoem, perdoem aqueles que gravaram o áudio se de certa forma ofendeu vocês", diz na gravação.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, informou que vai formalizar uma denúncia à Polícia Federal sobre o caso.




