Graziele sempre sonhou com a imagem de uma criança pequena correndo em sua direção para lhe dar um abraço, uma cena que representava o ideal de maternidade que ela e seu marido buscavam. No entanto, a realidade trouxe uma surpresa: a adoção de uma menina de 11 anos, que aos poucos transformou a dinâmica familiar e, , trouxe "brilho" para seu lar. A construção desse novo vínculo foi gradual. Enquanto a conexão com o pai ocorreu de maneira mais rápida, Graziele teve que dedicar mais tempo para conquistar a confiança da filha. Aproximadamente seis meses após o início da convivência, o tão esperado abraço espontâneo aconteceu quando a menina correu em sua direção ao voltar do trabalho. "Era um sonho que eu tinha", recorda Graziele, atualmente com 38 anos. "Aconteceu de uma forma natural, aconteceu de uma forma gradual."
A história de Graziele reflete uma mudança observada pela Justiça em Mato Grosso do Sul. A juíza Katy Braun, da Vara da Infância, Adolescência e do Idoso de Campo Grande, aponta que os pretendentes à adoção No Brasil têm ampliado o perfil desejado, demonstrando maior disposição para adotar crianças mais velhas e grupos de irmãos. Apesar dos avanços, os desafios permanecem. Atualmente, 104 crianças e adolescentes estão aptos para adoção no estado, sendo que 74 deles têm entre 12 e 17 anos, indicando que cerca de sete em cada dez que aguardam por uma família são adolescentes.
Graziele e seu marido estão juntos há 21 anos e casados há 15. Após enfrentarem problemas de infertilidade, o casal começou a explorar outras alternativas para formar uma família. Uma reflexão proporcionada por uma psicóloga, que indagou se Graziele queria engravidar ou ser mãe, levou o casal a repensar sua trajetória. "Começamos a considerar que existem várias formas de amar e que a gravidez não é a única maneira de ser mãe", compartilha.
Em relação à Adoção Internacional, nos últimos cinco anos, Mato Grosso do Sul registrou apenas oito adoções internacionais, em contraste com 524 adoções nacionais. Em 2021, foram três adoções internacionais; em 2022, nenhuma; em 2023, outras três; em 2024, nenhuma; e em 2025, duas. Esses números indicam que a Adoção Internacional representa uma fração pequena do total, embora a análise isolada não permita concluir que essa modalidade esteja em declínio. A juíza Katy Braun ressalta que a Adoção Internacional é residual e ocorre na ausência de pretendentes brasileiros interessados na criança.
Historicamente, crianças mais velhas, grupos de irmãos e aquelas com problemas de saúde costumavam ser mais adotadas no exterior, devido à resistência dos brasileiros em aceitar esses perfis. Contudo, com a ampliação das opções de adoção por parte das famílias brasileiras, parte dessa realidade tem mudado. Apesar disso, o desafio persiste, especialmente para adolescentes e crianças com condições de saúde que continuam à espera de uma família. "Tudo aquilo que os estrangeiros podiam nos oferecer, os próprios brasileiros estão oferecendo agora", conclui a juíza.




