As políticas implementadas pelo presidente Javier Milei Na Argentina têm impactado a atual campanha eleitoral No Brasil, com diversos candidatos, tanto à Presidência quanto a governos estaduais e ao Congresso, defendendo a adoção de medidas semelhantes. Entre as propostas inspiradas na experiência argentina, destacam-se cortes de gastos públicos, privatizações, redução de impostos e desregulamentação, algumas das quais são explicitamente mencionadas pelos próprios candidatos.
Um exemplo significativo é o plano de governo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que introduziu a ideia do "Tesouraço". Essa proposta visa a redução de gastos públicos e a diminuição do tamanho do Estado, em uma clara alusão à "motosserra" de Milei, que se refere ao seu plano de corte de despesas Na Argentina.
Além de Flávio Bolsonaro, outros concorrentes têm citado ou adotado propostas que se alinham à agenda de Milei. Renan Santos (Missão) faz referências diretas à experiência argentina, enquanto Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato ao governo de São Paulo, já elogiou as medidas de austeridade promovidas por Milei e discutiu políticas semelhantes com ele. Sergio Moro (PL), concorrendo ao governo do Paraná, anunciou a intenção de reduzir impostos e regulamentações, e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), em busca da reeleição, apresentou uma PEC inspirada nas políticas do presidente argentino.
No plano de governo de Flávio Bolsonaro, há a promessa de um "grande Tesouraço" para enxugar a máquina pública e promover a redução de impostos. Entre as medidas propostas estão a extinção de pelo menos dez ministérios, a diminuição de cargos comissionados e despesas administrativas, o combate a supersalários e uma nova agenda de privatizações e desestatizações. O candidato também pretende substituir o atual arcabouço fiscal por uma nova regra que busque estabilizar e posteriormente reduzir a dívida pública.
A legislação aprovada em 2024 já autorizou o avanço de privatizações de empresas estatais, embora o processo tenha ocorrido de forma gradual e não tenha englobado todas as companhias públicas. Outra similaridade entre as políticas de Milei e as propostas de Romeu Zema, candidato do Novo, é a flexibilização das regras trabalhistas, uma medida que Milei conseguiu implementar com a aprovação de sua reforma neste ano.
Entretanto, houve uma discordância entre Zema e Milei quando o presidente argentino participou da convenção de Flávio Bolsonaro e fez críticas ao presidente Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, em julho. Zema concordou com o conteúdo das declarações de Milei, que chamou Lula de "presidiário" e Moraes de "lixo careca", mas expressou descontentamento com a forma como as críticas foram feitas.




