O mês de julho de 2026 trouxe uma mudança significativa para as exportações de carne bovina do Brasil, que registraram uma queda de 17,7% no volume em comparação ao mesmo período do ano anterior. Foram embarcadas 227,94 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, contra 276,88 mil toneladas em julho de 2025, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Apesar da redução no volume, a receita obtida com as exportações caiu de forma menos acentuada, totalizando US$ 1,447 bilhão, o que representa uma diminuição de 5,8% em relação aos US$ 1,537 bilhão registrados no mesmo mês do ano passado. Esse contraste se deve, em grande parte, ao aumento no valor médio da tonelada, que alcançou US$ 6.350,50, refletindo uma alta de 14,4% em relação ao mesmo período de 2025.
A principal causa para a diminuição no volume exportado está relacionada a uma queda significativa nas vendas para a China, que é um dos principais destinos da carne bovina brasileira. Em junho, o Brasil enviou 158,36 mil toneladas para o mercado chinês, enquanto em julho esse número caiu para 82,71 mil toneladas, quase pela metade em apenas um mês. Essa redução está ligada à cota de embarque utilizada pelas consultorias do setor, que consumiu uma quantidade menor do total anual em julho.
Por outro lado, os Estados Unidos ampliaram suas importações de carne bovina brasileira, mais que dobrando as compras em julho de 2026 em comparação ao mesmo mês de 2025. Essa dinâmica evidencia que a exportação de carne bovina continua a ser lucrativa, sustentada por preços elevados no mercado internacional, mesmo com a redução do volume enviado.
No acumulado do ano, entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou 1,899 milhão de toneladas de carne bovina, o que representa um aumento de 7,47% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita totalizou US$ 11,223 bilhões, com um crescimento de 26,64%. Portanto, embora o volume tenha aumentado apenas 7%, a receita cresceu 27%, indicando que o fator determinante para o ganho neste ano foi o preço, e não o aumento na quantidade.
Esse desempenho da carne bovina contrasta com o das demais proteínas e do açúcar, que não apresentaram a mesma tendência de queda no volume. Em julho, as exportações do agronegócio brasileiro alcançaram um recorde histórico, somando US$ 16,34 bilhões, um aumento de 5,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O complexo soja liderou em valor, com US$ 7,15 bilhões, seguido por carnes que geraram US$ 2,91 bilhões.




