A crescente adoção de tecnologias, especialmente a internet e a Inteligência Artificial (IA), requer um olhar crítico que vá além da simples disponibilização desses recursos a alunos e professores. Essa é a avaliação da educadora Daniela Costa, que atua como consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil.
Durante sua participação no 4º Encontro de Educadores do Século XXI – Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, realizado em 14 de agosto no Rio de Janeiro, Daniela Costa enfatizou a importância de uma inclusão digital que seja significativa e crítica. A coordenadora da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), destacou que é essencial considerar objetivos, riscos e oportunidades ao integrar tecnologias no ambiente escolar.
A educadora apresentou dados que ilustram tanto avanços quanto desafios na relação entre estudantes e o uso de tecnologias no ensino. Um exemplo positivo vem da China, onde a disponibilização de aulas gravadas de alta qualidade para 100 milhões de estudantes rurais resultou em uma melhoria de 32% nos resultados acadêmicos e na redução da desigualdade salarial entre áreas urbanas e rurais em 38%.
No entanto, Daniela também trouxe à tona preocupações significativas, como o impacto negativo da “simples proximidade” de celulares na atenção dos alunos. Em 14 países analisados, a presença de um aparelho celular em sala de aula foi associada a uma diminuição da concentração dos estudantes. A educadora observou que o uso excessivo de tecnologias digitais está correlacionado com a queda no aprendizado.
Em relação ao papel dos professores, Daniela Costa apontou que estes continuam sendo referências importantes para os alunos no uso de tecnologias digitais. Entre 2022 e 2024, o percentual de estudantes que relataram buscar informações sobre o uso dessas tecnologias com os professores aumentou de 44% para 56%. Por outro lado, a participação de professores em formações continuadas sobre tecnologias no ensino caiu de 65% em 2021 para 54% em 2024, o que, segundo a educadora, é um número preocupante.
“É como se, durante a pandemia, precisássemos discutir a formação dos professores. Depois, a conversa parece ter diminuído”, criticou. Para Daniela, é fundamental que a sociedade assuma um compromisso com o papel dos educadores, ressaltando que não existe desenvolvimento integral dos estudantes sem a valorização e a capacitação dos professores.




