O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou, na terça-feira (11), a realização de uma busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão, apontado como fonte de informações por Luís Pablo Conceição Almeida, jornalista do Blog do Luís Pablo. A ação acontece no contexto de investigações sobre o uso de veículos oficiais pela família do ministro Flávio Dino.
As buscas foram motivadas por dados coletados no celular do blogueiro, que já havia sido alvo de uma operação da Polícia Federal em março. Além de Cutrim, um advogado que teria prestado assistência a Luís Pablo nas publicações também foi incluído no mandado de busca. A decisão de Moraes está sob sigilo e, até o momento, o STF não se manifestou sobre o caso.
A apuração indica que a Polícia Federal detectou movimentações financeiras do advogado em favor do blogueiro e busca esclarecer se os valores estão relacionados a publicações que interessam ao grupo de Cutrim. O advogado é suspeito de ter transferido R$ 100 mil, quantia que teria sido utilizada na aquisição de um terreno.
A defesa de Raimundo Cutrim, representada por Berilo Freitas, expressou estranheza e preocupação em relação à decisão judicial, que menciona Cutrim como fonte do jornalista. Freitas ressaltou a necessidade de investigar a denúncia em vez de focar no jornalista e em seu assessor. "Querem politizar uma coisa. É muito estranho", afirmou.
Cutrim, que está em prisão domiciliar desde o mês passado, foi afastado de seu cargo por Flávio Dino em meio a uma investigação que envolve suposta coação e obstrução da Justiça em um caso de assassinato no Maranhão. O ex-secretário, que é delegado da Polícia Federal aposentado e já exerceu três mandatos como deputado estadual, foi uma figura importante na administração anterior de Carlos Brandão.
A investigação também levanta questões sobre uma possível perseguição a Flávio Dino, com alegações de exposição indevida relacionada à segurança do ministro e o uso de mecanismos estatais para vigilância. A situação gerou uma nota conjunta da ANJ, Abert e Aner, que expressaram preocupação com a quebra de sigilo de fontes, afirmando que tal prática não tem respaldo constitucional e ameaça a liberdade de imprensa, garantida pela Constituição de 1988.




