Na última segunda-feira (10), Donald Trump assinou um decreto que visa reformular a política federal de vacinação infantil Nos Estados Unidos. A nova abordagem proposta pelo governo sugere uma diminuição no número total de vacinas recomendadas para crianças pequenas, além de segmentar o calendário nacional de vacinação em três categorias distintas. Essa medida ocorre mesmo com a escassez de evidências científicas que respaldem tais alterações drásticas.
Entre as mudanças sugeridas, destaca-se a proposta de dividir a vacina contra caxumba, sarampo e rubéola, conhecida como SCR ou Tríplice Viral, em três doses separadas. Essa alteração contraria o consenso científico predominante e se alinha com os apelos de Trump nos últimos meses para que a vacina amplamente utilizada sofra modificações. O governo americano sinalizou sua intenção de pressionar os estados a adaptarem seus requisitos de vacinação para incluir as novas diretrizes federais, alterando práticas estabelecidas que visam aumentar as taxas de imunização infantil.
Durante a cerimônia no Salão Oval da Casa Branca, Trump afirmou: “Estamos reduzindo o número de doses”. Ele explicou que a mudança não se limita apenas ao número de vacinas, mas envolve a administração das doses em uma série de consultas médicas. O presidente foi acompanhado por várias autoridades da saúde, incluindo o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e fez uma série de alegações controversas sobre vacinas, sugerindo que a vacina SCR poderia ser “bastante letal”.
Trump também alegou, sem apresentar provas, que as crianças estariam recebendo mais vacinas do que poderiam suportar, defendendo que as doses deveriam ser aplicadas com intervalos maiores. Quando questionado sobre a necessidade de recomendações para que os bebês recebam vacinas em cinco consultas médicas distintas, o presidente mencionou sua própria experiência com seus filhos, afirmando que não enfrentou problemas nesse contexto.
A decisão de Trump ocorre mesmo diante de preocupações expressas por assessores políticos sobre a impopularidade de políticas de vacinação controversas, que poderiam impactar o apoio dos eleitores nas eleições de meio de mandato em novembro. No início do ano, a Casa Branca havia solicitado ao secretário de Saúde que desviasse o foco para outras iniciativas mais convencionais, em função das repercussões políticas, embora o trabalho relacionado a vacinas continuasse em segundo plano.
Trump ressaltou a importância do decreto, afirmando: “Isto é algo muito importante para todos nós. Estou muito feliz em assinar [o decreto].” Essa mudança de diretrizes ocorre em um contexto onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que cinco vidas são salvas a cada segundo por vacinas contra o sarampo.




