Uma bebê de apenas 28 dias desapareceu após a mãe, uma adolescente de 17 anos, ir à casa de uma mulher que conheceu por meio da internet. O desaparecimento mobilizou a Polícia Militar na manhã desta sexta-feira (7) e o caso foi encaminhado à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) em Campo Grande.
A avó da criança relatou ao Campo Grande News que além da mãe da recém-nascida, uma outra filha, de 13 anos, também estava presente no momento em que as duas saíram de casa. Segundo a avó, a jovem conheceu a mulher em uma página de brechó durante a gestação, e a aproximação levou à proposta de um ensaio fotográfico de gestante. A avó expressou suas preocupações, pois notou um interesse excessivo da mulher, que visitava a família quase diariamente.
Após o nascimento da criança, as visitas continuaram, com a mulher trazendo roupas para a recém-nascida. Recentemente, conforme o relato, ela ofereceu R$ 100 para que a adolescente fosse até sua casa cuidar de uma criança de seis meses. A avó questionou a filha sobre a ida, alertando que a mãe deveria ficar com sua bebê, que ainda era muito pequena. Para garantir a segurança, ela pediu que a irmã de 13 anos a acompanhasse.
As duas adolescentes saíram de casa por volta das 11h de quinta-feira (6) e, segundo informações da família, permaneceram na residência da mulher durante todo o dia. Durante a madrugada, por volta da 1h, as irmãs foram deixadas em uma área de mato próxima à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Universitário, localizada na Avenida Guaicurus. No entanto, a recém-nascida não estava com elas.
Até o momento, não há informações sobre o paradeiro da bebê nem da mulher que a mãe conheceu. As adolescentes mencionaram que havia outras pessoas no veículo que as deixaram na região e que o celular da jovem de 17 anos teria permanecido com o grupo. O caso, que inicialmente foi atendido pela Polícia Militar, levanta preocupações sobre a segurança de recém-nascidos e a possibilidade de transferências irregulares de crianças.
No contexto de Mato Grosso do Sul, a Justiça já havia demonstrado preocupação com situações de recém-nascidos sendo entregues a terceiros fora dos procedimentos oficiais. O projeto Dar à Luz, criado há 14 anos, busca oferecer uma alternativa legal e sigilosa para gestantes que desejam entregar suas crianças para adoção. A juíza Katy Braun, idealizadora do projeto, destacou que, em muitos casos, recém-nascidos eram repassados a pessoas da comunidade em troca de favores, como pagamento de laqueadura ou ajuda com alimentação.




