Crianças e adolescentes têm sido alvos de uma prática alarmante nas redes sociais, onde são induzidos a participar de transmissões ao vivo que incentivam atos de automutilação, amputação de animais e até suicídio. Esses eventos são organizados por outros jovens, resultando em interações entre milhares de participantes, muitos deles também menores de idade.
Um caso trágico ocorreu em Naviraí, onde uma adolescente de 13 anos perdeu a vida após 45 minutos de transmissão ao vivo sem que o conteúdo fosse interrompido, apesar de violar normas legais. Durante esse tempo, a jovem foi encorajada a realizar atos de automutilação e, ao não conseguir mutilar um gato, acabou escrevendo uma carta de despedida antes de cometer suicídio, sob orientações sobre como posicionar a câmera e a corda. Alessandro Barreto, coordenador do Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), descreveu essa situação como um "verdadeiro espetáculo de horrores" durante investigações relacionadas.
Na coletiva de imprensa em Brasília, o Ministro da Justiça, Wellington Lima, e outras autoridades discutiram as implicações desses fatos. Barreto ressaltou que, ao final da live, havia uma enquete perguntando quem desejava mais, sem que houvesse pedidos para encerrar a transmissão. Ele criticou a "falha terrível de MODERAÇÃO" das plataformas, lembrando que em outro caso, um vídeo de um garoto que ameaçava atacar uma escola foi removido em menos de cinco minutos.
Barreto, com 25 anos de experiência como delegado de polícia, expressou sua perplexidade diante das barbaridades encontradas durante as investigações, afirmando que nunca havia visto algo tão absurdo. Os desafios digitais enfrentados por crianças e adolescentes levantam questões sobre como esses grupos conseguem recrutar suas VÍTIMAS e a eficácia das medidas de proteção em vigor.
O Projeto de Lei nº 896/2023, que visa equiparar e criminalizar atos de ódio contra mulheres, também foi mencionado. A Secretária Nacional de Segurança Pública destacou a necessidade de um monitoramento constante para combater a violência contra mulheres e MENINAS. Ela também mencionou um projeto em parceria com a Fundação Osvaldo Cruz e o Instituto Mapear, focado na formação de meninos e adolescentes para promover o cuidado e a proteção dos direitos das mulheres.
A situação exige uma resposta efetiva das autoridades e uma reflexão sobre as ferramentas necessárias para enfrentar a violência que permeia o cotidiano. A vigilância nas plataformas digitais e a educação sobre direitos e respeito são fundamentais para prevenir que tragédias como a de Naviraí se repitam.




