Neste domingo (2), o governo do Irã anunciou que as negociações com Omã sobre a futura gestão do Estreito de Ormuz estão em sua fase final. O objetivo dessas discussões é estabelecer uma nova rota de navegação na passagem estratégica, fundamental para o transporte de petróleo no mundo.
As autoridades iranianas esclareceram que o entendimento em curso não está vinculado à reabertura ou fechamento do canal e não tem relação com o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a suspensão de ataques ao Irã. As negociações tratam exclusivamente da criação de uma nova rota no Estreito de Ormuz, que difere das alternativas já discutidas, como a rota norte defendida pelo Irã e a rota sul proposta por Omã em julho.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou em pronunciamento à televisão estatal que o país está dialogando apenas com Omã e que não possui qualquer canal de comunicação aberto com os Estados Unidos a respeito de uma possível suspensão de ataques. Essa afirmação contradiz o relato de Trump, que havia mencionado na rede social Truth Social que o Irã e outros países do Oriente Médio haviam solicitado o adiamento de ofensivas após a concordância sobre um entendimento mais abrangente.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também destacou em um relatório que as negociações com Omã estão em estágio avançado. Baghaei justificou a resistência do Irã à rota sul, atualmente em uso, citando riscos à segurança regional e possíveis prejuízos aos interesses nacionais do país. Ele enfatizou que Teerã manterá suas posições, independentemente das pressões externas.
O Estreito de Ormuz é uma das principais vias de escoamento de petróleo globalmente, representando cerca de 20% do volume transportado por mar antes do início de conflitos entre Irã, Estados Unidos e Israel. Em 12 de julho, o Irã havia decretado o fechamento da rota em resposta a bombardeios americanos, enquanto os Estados Unidos continuam com um bloqueio naval sobre portos e embarcações iranianas na região.
Em um comunicado divulgado neste domingo (2), a agência saudita SPA informou que o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, entrou em contato por telefone com Trump, solicitando que priorizasse o diálogo para evitar um conflito mais amplo no Oriente Médio. Este apelo ocorreu após o Irã ter ameaçado, na sexta-feira (31), retaliar fazendo os vizinhos árabes "arderem no fogo da guerra" em caso de um ataque americano em grande escala.




