A prática de realizar compras pela internet se tornou comum entre os moradores de Mato Grosso do Sul, mas essa comodidade também trouxe uma série de problemas. Entre o dia 1º de janeiro e 26 de julho de 2023, o Procon de Mato Grosso do Sul contabilizou um total de 3.229 reclamações referentes a compras de produtos e serviços online. As queixas mais frequentes dos consumidores envolvem questões como cobranças indevidas, problemas na entrega de produtos e vícios de qualidade.
Conforme os dados do Procon, 97,9% dos consumidores tentaram resolver suas pendências diretamente com os fornecedores antes de formalizar uma reclamação junto ao órgão, prática recomendada pela instituição. Quando não obtêm resposta ou solução, os consumidores são orientados a registrar suas queixas no Procon. Entre os itens que geraram mais reclamações estão os cartões de crédito e débito, com 14% das queixas, seguidos por cultura, esporte, lazer e eventos (9,07%) e vestuário, calçados e artigos de uso pessoal (5,20%).
Esse cenário de insatisfação reflete o que os especialistas observam no dia a dia. A presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB/MS, Larissa Marques Brandão, aponta que as reclamações mais recorrentes incluem atrasos na entrega, recebimento de produtos diferentes dos anunciados, defeitos de qualidade e dificuldades em realizar trocas ou devoluções. "Esses problemas frequentemente decorrem das falhas na logística interna, especialmente em plataformas que atuam como intermediárias entre fabricantes e consumidores", esclarece.
Brandão destaca que os setores que geram mais reclamações são eletrônicos, móveis e vestuário. Em relação aos eletrônicos, as queixas principais envolvem funcionamento e garantias. Já em móveis, os consumidores costumam relatar atrasos na entrega, problemas na montagem e discrepâncias entre o produto anunciado e aquele recebido. As reclamações sobre vestuário também são numerosas, abrangendo desde o tamanho até a qualidade das peças.
O Procon recomenda que os consumidores adotem precauções ao realizar compras online, como optar por sites confiáveis que forneçam informações claras sobre endereço, CNPJ e canais de atendimento. Além disso, é importante verificar a presença de um ícone de cadeado na barra de endereços do navegador, indicando que as informações estão protegidas por criptografia.
Outro alerta feito pela presidente da Comissão de Defesa do Consumidor é sobre os riscos de realizar pagamentos fora das plataformas oficiais e a importância de verificar a identidade do beneficiário da transferência. "Um erro comum é priorizar apenas o menor preço, sem considerar a reputação da loja ou do vendedor", enfatiza.




