Na passagem coberta Panoramas, a mais antiga de Paris, a tradição da filatelia se mantém viva apesar das mudanças no comércio local. Este espaço, que abriga uma variedade de bistrôs e trattorias de diferentes nacionalidades, também é lar de lojas especializadas na compra e venda de selos. A combinação de sabores do mundo e a nostalgia dos selos cria um ambiente único, onde a história e o colecionismo se entrelaçam.
Os comerciantes da passagem, ao lado de restaurantes que proliferaram nos últimos anos, enfrentam a crescente modernidade, mas ainda atraem aqueles que preferem a troca de cartas e cartões-postais. O cenário se enriquece com uma variedade de cartazes, onde anúncios como "70 selos em lote" coexistem com ofertas de cafés especiais, criando uma cacofonia visual que remete ao passado.
Gilles Drapanski, um vendedor que percorre as lojas com um catálogo de selos, é um exemplo do amor pela filatelia. Ele compartilha sua experiência de colecionador, explicando que agora pode adquirir selos que não podia na juventude. Para ele, cada selo é uma viagem ao passado, uma representação de design, história e geografia. "Viajar sem precisar de um avião" é como ele descreve a experiência de colecionar, ressaltando a importância dos selos na preservação da memória.
Catherine, à frente da loja 'Filatelia Marigny' desde 1990, também expressa sua paixão pela filatelia. Para ela, os selos são uma forma lúdica de abordar a história, permitindo profundas reflexões sobre cada peça. Ao mesmo tempo, ela observa que o ambiente da passagem já não é o mesmo, uma vez que muitos lojistas que antes moravam nas proximidades deixaram o local. Essa mudança altera a dinâmica, tornando o espaço menos comunitário e mais voltado para o turismo.
Os selos também têm um valor significativo no mercado. O 'franco vermelho', o primeiro selo postal a circular na França, lançado em 1849, é um dos mais procurados por colecionadores. Exemplares desse selo podem alcançar preços superiores a 20.000 euros em leilões, especialmente aqueles que estão em boas condições. Entretanto, esses valores são modestos em comparação com os selos mais caros do mundo, como os primeiros mil impressos em Maurício em 1847, que são raros e podem ser vendidos por até 8 milhões de euros, como aconteceu em 2022.
Enquanto a filatelia luta para sobreviver em um mundo cada vez mais digital, a galeria Panoramas permanece um ponto de resistência cultural. O amor pelos selos e a troca de correspondências ainda atraem entusiastas e novos colecionadores, mantendo viva uma tradição que, embora ameaçada, continua a encantar aqueles que apreciam a beleza da história encapsulada em pequenos pedaços de papel.




