Na noite de domingo (26), os oposicionistas María Corina Machado e Edmundo González tornaram público que não vão participar dos diálogos entre o chavismo e a oposição na Venezuela, que estão programados para começar em agosto. A declaração foi feita através de um comunicado divulgado na plataforma X.
Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025, e González, que venceu a eleição presidencial de 2024, mas não assumiu o cargo devido a alegações de fraude que permitiram a permanência de Nicolás Maduro no poder, esclareceram sua posição sobre o assunto. Eles afirmaram que não estiveram envolvidos na concepção ou na estruturação do novo mecanismo de diálogo anunciado.
Em seu comunicado, os líderes oposicionistas afirmaram: “Membros da Assembleia Nacional de 2015 e representantes do regime anunciaram a criação de um mecanismo entre as duas partes; não participamos de sua concepção, estruturação ou operação e, portanto, não nos cabe explicar seu escopo ou suas decisões.” Essa Assembleia Nacional de 2015 é reconhecida como a oposição ao chavismo, que obteve a maioria nas eleições daquele ano, mas foi alvo de manobras para desmantelar seu poder.
A iniciativa de diálogo, que conta com o apoio dos Estados Unidos, foi anunciada pelo presidente da atual Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da ditadora interina Delcy Rodríguez. O mecanismo começará a operar em 1º de agosto, conforme comunicado oficial.
Corina e González deixaram claro que não se opõem a iniciativas que promovam avanços reais para a Venezuela. Eles enfatizaram que avaliarão qualquer proposta com base em resultados concretos, como a restauração das instituições democráticas, a libertação de presos políticos, garantias para todas as partes envolvidas, um cronograma para eleições presidenciais adequadas e respeito à soberania popular. “É isso que o nosso povo exige, e é isso que acompanharemos atentamente”, concluíram os oposicionistas.
A situação política na Venezuela continua a ser marcada por tensões entre o governo de Maduro e a oposição, que busca restaurar a democracia no país, após anos de crises políticas e sociais. O desfecho dos diálogos e a posição da oposição nos próximos meses serão cruciais para o futuro político da Venezuela.




