A Arquidiocese de Caracas está à frente de uma mobilização significativa de ajuda humanitária, um mês após a ocorrência de um duplo terremoto que resultou na morte de mais de 5 mil pessoas na Venezuela. O foco principal desse esforço é atender às necessidades das vítimas, oferecendo suporte em abrigos temporários, distribuição de suprimentos e assegurando a dignidade nos sepultamentos cristãos.
Os tremores causaram uma tragédia imensa, com um saldo oficial de 5 mil mortos, além de dezenas de milhares de feridos e desabrigados, enquanto muitas pessoas ainda permanecem desaparecidas, possivelmente sob os escombros. As áreas mais afetadas pelo desastre foram La Guaira, Caracas e El Junquito, que sofreram grandes destruições em moradias e edificações públicas.
Dentro da perspectiva cristã, a Igreja Católica defende a dignidade sagrada do corpo humano, promovendo o enterro cristão sempre que possível. Nos casos em que os corpos não puderam ser recuperados, os sacerdotes realizam ritos fúnebres e momentos de oração nos locais de desabamentos, conhecidos como ritos de encomendação, com a finalidade de honrar os falecidos e proporcionar conforto espiritual às famílias em luto.
Até o momento, a Igreja coordenou a entrega de 490 toneladas de suprimentos essenciais, incluindo alimentos e itens de higiene, com o objetivo de manter a operação dos hospitais em Caracas e apoiar os abrigos temporários. Além disso, há um esforço em andamento para fortalecer os bancos de medicamentos das paróquias, assegurando que feridos e doentes tenham acesso aos cuidados básicos de saúde.
A resposta da Igreja vai além da assistência alimentar e abrigo. Uma rede de apoio psicológico foi criada, com foco especial nas crianças, onde profissionais e voluntários trabalham para oferecer ferramentas que ajudem os sobreviventes a lidar com o estresse pós-traumático e a dor causada pela perda de familiares e amigos, buscando evitar sequelas psicológicas severas após a tragédia.
Engenheiros voluntários realizaram uma avaliação técnica em 27 igrejas de Caracas, utilizando um sistema de cores para classificar os danos. Aproximadamente 19% dos templos foram etiquetados com a cor vermelha, indicando interdição devido a danos estruturais graves. Outros 59% foram classificados com uso restrito para reparos menores, enquanto apenas 22% estão totalmente liberados. Para a reconstrução desses locais, um plano de cinco fases foi elaborado, priorizando tanto a segurança quanto a preservação do patrimônio histórico.




