Os estados de São Paulo e Santa Catarina são os mais afetados pelo recente aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos (EUA), que representa 52% do total do impacto. Com um volume de US$ 7,4 bilhões em vendas prejudicadas, US$ 3 bilhões dessas perdas têm origem em São Paulo, que sozinha responde por 41,6% do total das exportações afetadas. Isso equivale a 20% do que o estado exporta para os EUA.
Santa Catarina enfrenta uma situação ainda mais crítica, com 68% de suas exportações destinadas aos EUA sendo afetadas. Os dados, coletados pela Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos, ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Comércio e Indústria (MDCI), revelam a gravidade do cenário para os estados brasileiros.
Para mitigar os impactos, a ApexBrasil anunciou um plano de R$ 130 milhões que visa auxiliar as empresas na diversificação de seus mercados. Além disso, o setor madeireiro do Paraná também deve sofrer consequências significativas, uma vez que 30% das importações de madeira dos EUA vêm do Brasil, com 66,7% desse total originando-se no Paraná.
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, enfatizou que a situação é desfavorável não apenas para as empresas paranaenses, mas também para o mercado americano, que depende de importações brasileiras. "Isso é ruim para as empresas do Paraná que trabalham com esse setor. Isso é ruim para quem importa madeira nos EUA. Isso é ruim para a construção civil de lá, para quem vai comprar casa. Ou seja, isso tem impacto na inflação americana", disse Müller.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmou a implementação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma parte dos produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas "desleais" por parte do Brasil. O governo brasileiro contestou as justificativas apresentadas para a imposição dessas taxas. As novas tarifas entrarão em vigor no dia 22 de julho e afetarão 19,2% do total exportado ao país norte-americano.
Além da madeira, o Brasil também é um importante fornecedor de granito para os EUA, produto que foi incluído nas novas tarifas. Dados da ApexBrasil indicam que 36% do granito importado pelos EUA vem do Brasil, um material essencial na construção civil. Müller destacou a dificuldade que os americanos terão em encontrar fornecedores alternativos, afirmando que não é viável para eles mudar de fornecedor rapidamente, dada a dependência significativa do suprimento de madeira e granito do Brasil.




