A alta da Selic no setor agropecuário se reflete em diversos aspectos além da taxa aplicada diretamente aos produtores. Os impactos percorrem bancos, cooperativas, revendas, fabricantes de máquinas, tradings e fornecedores de insumos, até chegarem à margem das propriedades rurais.
Em 17 de junho de 2026, o Comitê de Política Monetária decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,25% ao ano. No entanto, este nível ainda é considerado alto quando comparado aos 2% registrados em agosto de 2020. Durante esse período, a Selic atingiu 13,75% em agosto de 2022 e 15% em junho de 2025, o que contribui para a crescente preocupação com o crédito no setor.
Os produtores podem acessar linhas de crédito com taxas controladas, mas continuam inseridos em uma cadeia em que empresas, distribuidores e instituições financeiras captam recursos a custos influenciados pela política monetária. A Selic serve como referência para as taxas de juros da economia, e sua permanência em patamares elevados torna aplicações financeiras conservadoras mais atraentes, elevando o custo de oportunidade de se investir em atividades produtivas.
Os bancos, por sua vez, tendem a exigir uma remuneração maior ao conceder crédito, especialmente em operações que não contam com subsídios ou direcionamento governamental. O Banco Central reconhece que os efeitos de uma política monetária restritiva se manifestam, entre outros fatores, na desaceleração do crédito livre.
No agronegócio, essa transmissão dos efeitos pode ocorrer por diversos meios, como capital de giro contratado diretamente com bancos, financiamentos disponibilizados por revendas e fornecedores, operações com recursos livres, antecipação de recebíveis, financiamento de máquinas e estruturas, e o custo financeiro embutido no prazo para pagamento dos insumos. Além disso, o carregamento de estoques após a colheita também está sujeito a essas influências.
Esse cenário implica que a taxa de uma linha oficial não é o único indicativo do custo financeiro total de uma safra. O crédito rural no Brasil compreende recursos controlados e não controlados, sendo que os controlados possuem condições definidas pela política vigente. O produtor que não recebe imediatamente pela produção acaba mantendo capital imobilizado em estoque, o que pode aumentar os custos.



