A Operação Gutenberg, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), resultou na prisão da cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar e de sua filha, a médica e empresária Olívia Paroschi Jafar, nesta terça-feira. As detenções ocorreram em meio a investigações sobre um suposto esquema que teria movimentado mais de R$ 27 milhões em contratos públicos voltados para a compra de livros paradidáticos. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) apura a possibilidade de direcionamento de licitações e o uso de empresas para ocultar a origem dos recursos envolvidos.
Além das questões relacionadas à educação, as investigações do Gaeco também se concentram em possíveis irregularidades na área da saúde pública. A operação busca evidências de que a organização criminosa teria influenciado exames, cirurgias e a distribuição de vagas hospitalares, visando beneficiar ou pressionar municípios que participavam do esquema.
Rossana foi presa no Edifício Porto Madero, localizado no Bairro São Francisco, enquanto Olívia foi detida no Edifício Olavo Bilac, na Avenida Ricardo Brandão, em Campo Grande. Olívia é sócia-administradora da Clínica Ross, que também foi alvo de mandados de busca e apreensão no Jardim dos Estados. A clínica, fundada em maio de 2026, tem como foco principal a atividade médica ambulatorial restrita a consultas. Formada em medicina pela Universidade Anhanguera em 2024, Olívia não possui especialidade registrada no cadastro do Conselho Federal de Medicina (CFM).
A família Jafar está ainda vinculada à Gráfica Alvorada, da qual Rossana é sócia-administradora. Esta empresa já havia sido mencionada em investigações anteriores relacionadas a contratos para fornecimento de livros didáticos. Em 2017, Rossana foi alvo da 4ª fase da Operação Lama Asfáltica, denominada Máquinas de Lama, que investigava desvios em contratos do Governo de Mato Grosso do Sul.
Durante a operação, o Gaeco encontrou uma espingarda calibre 22 e seis munições calibre 38 na posse do marido de Rossana, um comerciante de 47 anos. Ele foi levado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) e autuado em flagrante por posse ilegal de arma.
Até o momento, as defesas de Rossana Paroschi Jafar, Olívia Paroschi Jafar, Ed Carlo Britto Burgatt e Junior Vasconcelos não se manifestaram sobre as prisões. O governo do estado anunciou que apoiou as operações do Gaeco e que tomará medidas de compliance e transparência, incluindo o afastamento ou exoneração dos servidores envolvidos. A Secretaria de Estado e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) estão acompanhando a situação e instauraram auditoria sobre os procedimentos sob responsabilidade do Executivo.




