A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a libertação da médica-veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, na tarde desta sexta-feira (3). Ela estava acusada de atear fogo no marido durante uma discussão motivada por ciúmes, ocorrida em 22 de junho, na residência da família em Campo Grande. A decisão foi tomada pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, que revisou a prisão após a defesa apresentar um vídeo em que a vítima declara que Lidiane não tinha a intenção de matá-lo e tentou ajudá-lo.
No julgamento, o magistrado concedeu liberdade provisória e impôs a utilização de tornozeleira eletrônica por um período de 90 dias. Além disso, Lidiane deverá comparecer mensalmente ao fórum e apresentar comprovantes de trabalho e endereço a cada 30 dias. O juiz justificou sua decisão afirmando que não encontra mais os fundamentos que levaram à decretação da prisão preventiva. "Ocorre que sobreveio aos autos fato novo", destacou Aluizio ao mencionar a gravação apresentada pela defesa.
Outro aspecto considerado pelo juiz foi a reação de Lidiane ao perceber o marido em chamas. Ele observou que há indícios de que, após perceber a situação, a acusada imediatamente prestou socorro e o levou ao hospital. Essa conduta poderá influenciar a avaliação sobre a responsabilidade de Lidiane, um aspecto que será analisado ao longo do processo. O magistrado ressaltou ainda que a veterinária não possui antecedentes criminais, tem residência fixa, exerce a profissão de médica-veterinária e é mãe de uma criança menor de 12 anos.
A decisão de libertação reverte o entendimento anterior do próprio juiz, que na segunda-feira (29) havia negado o pedido de revogação da prisão. Naquela ocasião, a defesa argumentou que Lidiane precisava cuidar do filho de 9 anos, que estava sem os pais, uma vez que o marido se encontrava internado. Além disso, a defesa mencionou a residência fixa e a ausência de antecedentes criminais da veterinária.
Lidiane estava presa desde a data do incidente, em que a vítima sofreu queimaduras em aproximadamente 30% do corpo, com as áreas mais afetadas sendo o tronco e os braços. Durante a investigação, a veterinária admitiu que jogou álcool e acendeu um isqueiro, mas negou que tivesse a intenção de matar. Ela declarou que sua intenção era apenas assustar o marido para que ele não viajasse a Brasília e falasse sobre uma suposta traição.
A Polícia Civil concluiu a investigação entendendo que a atitude de Lidiane após o incêndio demonstrava que ela tentou evitar a morte do marido. Os investigadores consideraram o socorro prestado, as queimaduras que Lidiane sofreu nas mãos e o transporte da vítima ao hospital. Entretanto, a polícia também apontou tortura, considerando que Lidiane poderia ter utilizado a situação para forçar uma confissão sobre a suposta traição.




