Na quinta-feira (2), Kiev enfrentou uma das suas noites mais trágicas desde o início da invasão russa, com um ataque que resultou na morte de pelo menos 30 pessoas e deixou muitas outras feridas. As autoridades ucranianas descreveram a ofensiva como a mais severa desde fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou sua campanha militar contra a Ucrânia.
De acordo com a Força Aérea ucraniana, o ataque envolveu o lançamento de 496 drones e 74 mísseis, ocorrendo entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta. O balanço de vítimas subiu após a recuperação de três novos corpos entre os escombros, conforme relatado pelos serviços de emergência da capital. Inicialmente, o chefe da administração militar de Kiev, Tymur Tkachenko, havia comunicado 27 mortos e 91 feridos.
Os ataques contra a Ucrânia têm sido uma constante nos últimos quatro anos, com alertas aéreos se tornando parte da rotina da população. Na noite do ataque, jornalistas da AFP relataram explosões que duraram várias horas, e um repórter presenciou equipes de resgate trabalhando para retirar um corpo dos destroços de um prédio atingido.
A resposta da população foi imediata, com muitos moradores se dirigindo aos abrigos. Aproximadamente 52 mil pessoas, incluindo 4.500 crianças, buscaram refúgio em estações subterrâneas, o que representa o maior número registrado nos últimos anos, conforme informou o serviço de metrô de Kiev. Karina Taran, de 25 anos, compartilhou sua experiência, dizendo que foi a primeira vez que buscou abrigo e que se sentiu compelida a correr para a segurança quando os mísseis começaram a cair.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, afirmou que o país tomará medidas de resposta e solicitou aos Estados Unidos a concessão de licença para a fabricação de mísseis de defesa antiaérea Patriot, com o objetivo de evitar novos ataques. Zelensky denunciou que a Rússia tem se concentrado em atacar alvos civis, buscando forçar a Ucrânia a renunciar à sua soberania. Ele reafirmou que isso não ocorrerá.
O Ministério da Defesa da Rússia, por sua vez, confirmou a realização de um "ataque intenso" contra Kiev, justificando-o como uma resposta aos "ataques terroristas do regime de Kiev contra infraestruturas civis". O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que a Rússia continuará a aumentar a pressão sobre o governo ucraniano para alcançar seus objetivos. As tensões permanecem elevadas, enquanto os ataques ucranianos contra alvos russos e territórios ocupados se intensificaram nos últimos meses, em um cenário de negociações estagnadas mediadas pelos Estados Unidos.




