O dólar comercial encerrou o primeiro pregão de julho com alta de 0,92%, cotado a R$ 5,209. Durante o dia, a moeda norte-americana atingiu a máxima de R$ 5,219, após iniciar o dia próxima à estabilidade. Este valor é o maior desde 30 de março, quando a moeda foi vendida a R$ 5,24. Apesar da alta, o dólar acumula uma queda de 5,08% no ano.
A valorização do dólar é atribuída a fatores externos, especialmente a expectativa de manutenção dos juros elevados pelo Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos. A postura cautelosa do Fed em relação à política monetária tem levado os investidores a ajustar suas posições, favorecendo a moeda americana e reduzindo o interesse por ativos de risco, como os encontrados em mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Na última quarta-feira, dados indicaram que o setor privado dos Estados Unidos criou 98 mil empregos no mês de junho. O mercado agora aguarda a divulgação do relatório oficial de empregos, o payroll, que ocorrerá na quinta-feira (2) e poderá influenciar as decisões futuras do Fed em relação aos juros.
No Brasil, o cenário também foi marcado por preocupações locais. Investidores acompanharam a divulgação de pesquisas eleitorais e a saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, o que adicionou cautela ao ambiente de negócios. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda de 0,20%, aos 171.688 pontos, após oscilar entre perdas superiores a 1% e uma breve alta ao longo do dia.
Este foi o primeiro pregão do segundo semestre, um período em que é comum que investidores realizem ajustes em suas carteiras, aumentando a volatilidade do mercado. A expectativa em relação à política monetária nos Estados Unidos também foi um fator que contribuiu para a redução do interesse de investidores estrangeiros por ativos de risco No Brasil. Em junho, o saldo líquido de investimentos externos na B3 foi negativo, registrando R$ 8,7 bilhões, seguindo a tendência observada desde abril.
As ações de bancos apresentaram desempenho misto, enquanto os papéis de petroleiras oscilaram em meio à queda do preço do petróleo no mercado internacional. As mineradoras, por sua vez, terminaram o dia próximas da estabilidade. Além das questões relacionadas ao emprego nos Estados Unidos, os investidores também monitoraram as declarações de dirigentes do Fed e do Banco Central Europeu (BCE), que evitaram fazer previsões sobre uma possível redução das taxas de juros.


