O Ministério da Saúde anunciou a prorrogação da vacinação contra o HPV para adolescentes com idades entre 15 e 19 anos até o dia 31 de dezembro de 2023. Inicialmente, a campanha de resgate vacinal, destinada a jovens que não receberam a vacina na faixa etária recomendada, estava programada para ser finalizada neste mês.
Em um ofício, a pasta ressaltou a relevância do resgate vacinal para aumentar o acesso à imunização entre os adolescentes ainda não vacinados. Destacou também a necessidade de que estados e municípios intensifiquem suas ações de vacinação. O ministério revelou que, embora o monitoramento do resgate vacinal tenha mostrado progressos, os dados ainda não são suficientes para alcançar os mais de 600 mil adolescentes que precisam ser imunizados, exigindo, portanto, o fortalecimento de iniciativas, como campanhas em escolas e universidades.
Até junho de 2023, foram imunizados 287.647 adolescentes na faixa etária de 15 a 19 anos. Desse total, 124.172 eram do sexo feminino e 163.502 do sexo masculino. Para facilitar o acesso à vacina, o Brasil adotou um novo esquema vacinal a partir de 2024, que agora consiste em uma única dose, substituindo o modelo anterior de duas doses. Para indivíduos com imunossupressão, como aqueles vivendo com HIV/aids ou pacientes oncológicos, o esquema permanece com três doses.
A vacinação também é recomendada para usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP) entre 15 e 45 anos, além de vítimas de violência sexual a partir dessa idade. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), enfatizou que o HPV é um dos principais responsáveis por vários tipos de câncer, incluindo o câncer de colo de útero, e que a imunização é uma estratégia eficaz para prevenir infecções persistentes.
Kfouri destacou que vacinar adolescentes antes da exposição ao vírus, que se transmite principalmente por meio de relações sexuais, maximiza a eficácia da vacina. Ele também observou que a vacinação de ambos os gêneros amplia a proteção ao reduzir a transmissão do vírus. Países que implementaram essa estratégia observaram quedas significativas na incidência de verrugas genitais e cânceres relacionados ao HPV.
A vacina contra o HPV é considerada extremamente segura e eficaz, sendo uma das mais bem-sucedidas já desenvolvidas. Kfouri citou que a Organização Mundial da Saúde já se pronuncia sobre a possibilidade de eliminar o câncer de colo de útero com a vacinação adequada.




