Na quarta-feira (24), a Venezuela enfrentou dois terremotos devastadores que deixaram ao menos 164 mortos e cerca de 971 feridos. Os tremores, que ocorreram em um intervalo de menos de um minuto, provocaram o desabamento de vários prédios em diversas regiões, além de cortes de energia elétrica que deixaram a população em pânico. A presidente interina Delcy Rodríguez confirmou os números na quinta-feira (25), atualizando o balanço inicial que indicava 32 mortes e mais de 700 feridos.
O estado de La Guaira, localizado ao norte do país e a aproximadamente 40 minutos de Grande Caracas, foi o mais afetado. Equipes da AFP relataram que muitos edifícios desabaram e outros ficaram com danos significativos. A falta de energia elétrica forçou muitos residentes a passar a noite nas ruas, à procura de familiares entre os escombros. Larry Rojas, de 49 anos, expressou sua angústia ao afirmar: “Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força, nem coragem para entrar ali, imagina”.
O primeiro tremor, com magnitude de 7,2, ocorreu às 18h04 (19h04 de Brasília), com epicentro a 21 km a oeste de Morón. Quase um minuto depois, um segundo abalo, ainda mais intenso, de 7,5 graus, foi registrado. Esse evento se torna o mais forte da Venezuela desde 1900, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Yilsmaris Blanco, moradora de La Guaira, descreveu a cena de destruição: “Foi terrível, foi terrível. Tudo, tudo desabou, tudo, tudo”.
Além da devastação em solo venezuelano, os tremores foram sentidos na Colômbia, onde algumas sirenes de alerta foram acionadas. A presidente interina anunciou que 30 tremores secundários foram registrados após os principais abalos. Em resposta à tragédia, o governo da Venezuela declarou estado de emergência nacional.
A comunidade internacional rapidamente se mobilizou para oferecer ajuda. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio ao país e prometeu assistência, destacando que equipes de busca e resgate, além de recursos médicos e ajuda humanitária, seriam enviados imediatamente. A conversa entre Rodríguez e o secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou essa solidariedade, com promessas de apoio ao povo venezuelano.
Vários países da América Latina, assim como Espanha, Itália, Suíça, China e Índia, também expressaram suas condolências e disposição para ajudar. Especialistas da ONU solicitaram que o governo venezuelano facilitasse o acesso às redes sociais e meios de comunicação para otimizar as operações de socorro.




