A Copa do Mundo Fifa de 2026, que tem como anfitriões os países da América do Norte, está não apenas atraindo torcedores, mas também evidenciando tensões entre EUA, Canadá e México. Um dos indícios mais claros dessas divisões foi a realização de três cerimônias de abertura separadas, uma situação sem precedentes que expôs os choques culturais entre os vizinhos.
Apesar do caráter esportivo do evento, questões políticas têm interferido de maneira significativa nas interações entre os países. Nos últimos 18 meses, as relações diplomáticas entre os EUA, Canadá e México se deterioraram, o que influenciou as políticas adotadas para o período do torneio. No caso dos EUA, medidas rigorosas foram implementadas para a entrada de estrangeiros, incluindo atletas e suas delegações.
Uma das seleções mais impactadas pelas novas políticas migratórias foi a do Irã, que, em razão da guerra no Oriente Médio, teve que mudar sua base de treinamento para o México. Isso ocorreu após a negativa de vistos para mais de 15 membros da Federação de Futebol do Irã (FFIRI), que enfrentaram dificuldades para entrar nos EUA. A FFIRI manifestou sua preocupação à Fifa, argumentando que as restrições violam o princípio de igualdade de condições entre as equipes participantes.
Na terça-feira, dia 23, o Departamento de Segurança Interna dos EUA anunciou uma flexibilização das restrições, permitindo que a seleção iraniana entrasse no país dois dias antes de sua próxima partida. A FFIRI também denunciou que os EUA revogaram os ingressos que lhes eram destinados, o que dificultou a presença de torcedores iranianos nos jogos.
Além disso, a Casa Branca intensificou a pressão sobre o México em relação à violência dos cartéis na fronteira com os EUA. Durante seu segundo mandato, Donald Trump classificou esses grupos como organizações terroristas estrangeiras, ameaçando uma possível intervenção militar. Em resposta, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu para que a população não se deixasse influenciar pelas declarações do ex-presidente americano, ressaltando que o país está trabalhando para enfrentar a criminalidade.
Esses episódios refletem como o evento esportivo está imerso em um contexto de divisões políticas, evidenciando que, mesmo em um torneio que deveria promover a união, as rivalidades e tensões regionais se fazem presentes. Enquanto os jogos se desenrolam, as relações diplomáticas entre os países anfitriões continuam a ser desafiadas por suas realidades políticas e sociais.




