As opiniões sobre futebol podem variar amplamente entre os brasileiros. Há quem prefira Zidane a Zico, quem considere Harry Kane superior a Romário e quem argumente que Iniesta é melhor que Ronaldinho Gáucho. Contudo, existe uma linha que um ídolo da seleção brasileira deveria evitar cruzar, e Ronaldo Fenômeno acabou por ultrapassá-la.
Em uma conversa com o jornal espanhol Mundo Deportivo, poucas horas após mais uma impressionante performance de Lionel Messi na Copa do Mundo, o ex-jogador brasileiro declarou que é momento de o mundo reconhecer que o argentino é "o melhor jogador de todos os tempos". Essa afirmação surgiu após o hat-trick de Messi contra a Argélia, um resultado que fez com que o jogador igualasse Miroslav Klose como o maior artilheiro da história das Copas, além de retirar Ronaldo do posto de segundo maior goleador em Mundiais.
É raro observar um craque argentino menosprezando Messi ou Maradona para exaltar um jogador estrangeiro. Mesmo que prefiram um ao outro, eles não desmerecem os próprios ídolos para enaltecer rivais. No Brasil, essa prática é comum, onde trocamos nossos ídolos por aqueles que estão em alta no momento, como se a grandeza do exterior pudesse eclipsar a nossa.
Pelé representa mais do que um ex-atleta; ele é a razão pela qual essa discussão sobre quem é o melhor jogador existe. Antes de sua era, nenhuma seleção se tornou sinônimo de excelência universal, e o futebol não parecia simultaneamente tão simples e tão complexo. Enquanto Messi tem uma Copa, Pelé conquistou três. Messi pode ser considerado o maior da sua geração, mas Pelé redefiniu o próprio esporte.
A trajetória de Messi é marcada por jogar em campos bem cuidados, com a assistência de medicina esportiva avançada e arbitragens que protegem os craques. Em contrapartida, Pelé atuou em campos deteriorados, enfrentando zagueiros que confundiam marcação com agressão, e ainda assim produzia jogadas que, setenta anos depois, parecem oriundas de uma criação da inteligência artificial.
Ronaldo Fenômeno está ciente de toda essa história e certamente cresceu ouvindo relatos sobre Pelé, carregando consigo parte dessa herança. Tal contexto torna sua declaração ainda mais impactante. Não foi um jornalista espanhol, um comentarista argentino ou um ex-companheiro de Messi que fez essa afirmação; foi um brasileiro. E, pior ainda, um dos maiores ídolos do futebol brasileiro. Pelé não merece isso.




