Nayib Bukele, presidente de El Salvador, está completando dois anos de seu segundo mandato e, ao consolidar sua popularidade na segurança pública, agora direciona seus esforços para um novo desafio: a corrupção no setor público e privado. Ele anunciou a implementação de punições rigorosas para fraudes e sonegação fiscal, com o objetivo de aumentar a transparência e a responsabilidade entre os servidores públicos.
Uma das principais ações do governo é a obrigatoriedade da declaração de bens por servidores e seus familiares. Além disso, Bukele endureceu as penas para crimes financeiros envolvendo 'laranjas' e estabeleceu o Centro Nacional Anticorrupção. Este novo órgão faz uso de tecnologia avançada e inteligência no Ministério Público para detectar e investigar irregularidades financeiras cometidas por autoridades.
Em uma tentativa de melhorar a gestão pública, o governo aprovou a Lei Especial de Reestruturação Municipal, que visa reduzir o número de municípios de 262 para 44 até 2024. A centralização das administrações municipais tem como objetivo facilitar a fiscalização, reduzir gastos públicos e aumentar a eficiência na gestão, tornando mais difícil a ocorrência de desvios em prefeituras menores.
Apesar dos avanços na segurança, o país permanece em um estado de exceção contínuo há quatro anos. Organizações de direitos humanos criticam o enfraquecimento da democracia e a falta de transparência, além de relatar o encarceramento em massa sem o devido processo legal. A expulsão de missões internacionais de investigação é vista como um indicativo da crescente concentração de poder nas mãos do governo.
As políticas de segurança de Bukele têm atraído a atenção de líderes políticos de direita em toda a América Latina. O presidente recebeu apoio de figuras como Donald Trump e serviu de modelo para os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Daniel Noboa, do Equador, que estão buscando implementar estratégias semelhantes em seus respectivos países.
Entretanto, especialistas advertiram sobre os desafios que o Brasil enfrentaria ao tentar replicar essas políticas. Enquanto El Salvador possui uma área geográfica reduzida, equivalente ao estado de Sergipe, o Brasil é uma federação extensa com polícias estaduais e um sistema judiciário autônomo. Além disso, facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, são consideradas mais sofisticadas do que as gangues que operam em El Salvador.




