Uma reunião realizada no dia 16 de outubro, em Sidrolândia, com os representantes do departamento de mediação de conflitos do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), resultou em um acordo que impede o avanço de cerca de 300 indígenas terenas sobre duas fazendas que reivindicam como parte de suas terras tradicionais. O acordo prevê a presença da Força Nacional na região, além da elaboração de um documento que será enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em Campo Grande acompanhou a situação de ocupação da área desde o dia 14, quando houve um aviso sobre a intenção dos indígenas de retomar a terra. A assessoria de imprensa da Funai informou, no dia 17, que ainda não há informações sobre o deslocamento da Força Nacional para a área. O documento a ser protocolado no STF será apresentado por um advogado que representa os indígenas e deve solicitar a desapropriação das fazendas São Sebastião e Água Clara, além da indenização dos atuais proprietários com recursos federais.
Essas fazendas estão situadas em uma área que, segundo um laudo antropológico, foi ocupada por antepassados dos indígenas, que foram removidos à força do local. O pedido de reconhecimento do território tradicional está sendo analisado na Justiça há mais de 10 anos. A proposta busca um acordo semelhante ao que foi realizado para a Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, localizada em Antônio João, onde os fazendeiros também foram indenizados.
Os indígenas afirmaram que permanecerão na divisa entre a fazenda São Sebastião e a área de retomada da Terra Indígena Buriti, onde estão desde 2013. Esse período é marcado por conflitos, incluindo a morte do indígena Oziel Gabriel, que ocorreu em um incidente com um policial federal. O advogado do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Anderson Santos, participou da reunião a pedido dos terenas e destacou que, até o momento, não há presença da Força Nacional na área.
Atualmente, cinco viaturas da Polícia Militar e seguranças contratados pelos fazendeiros estão na região. Santos comentou sobre a mobilização dos indígenas para retomar seu território, enfatizando a necessidade de mediação do MPI com a Força Nacional. A assessoria de imprensa do MPI foi contatada, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para novas atualizações.




