O diretor de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Alexandre Zucarato, afirmou em evento nesta quarta-feira (4) que os Leilões de Reserva de Capacidade (LRCap) realizados em 2023 foram importantes para a segurança energética do Brasil, mas não foram suficientes para resolver todos os problemas operacionais enfrentados pelo Sistema Elétrico.
Zucarato participou do Enase (Encontro Nacional do Setor Elétrico) e ressaltou que a crescente participação de fontes renováveis na matriz elétrica tem tornado a operação mais complexa, especialmente durante as transições entre a geração solar e o pico de consumo. Ele mencionou que a chamada “curva do pato” tem se acentuado, o que representa um desafio adicional, pois a geração solar reduz a demanda nas horas de luz, mas a oferta de energia precisa aumentar rapidamente à noite quando a geração solar diminui.
O leilão de capacidade realizado este ano resultou na contratação de aproximadamente 19,5 GW de potência, com contratos de até 15 anos. O evento gerou controvérsias antes de sua realização, em razão do aumento dos preços-teto e das críticas de entidades do setor, do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar das objeções e disputas judiciais, os resultados do leilão foram homologados pela Aneel.
De acordo com Zucarato, a intensificação do fenômeno da “curva do pato” tem gerado mais desafios para a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). Ele também mencionou que o futuro leilão de baterias pode ajudar a aumentar a estabilidade do Sistema Elétrico e oferecer maior flexibilidade operacional. O Ministério de Minas e Energia anunciou recentemente as diretrizes para o primeiro leilão de sistemas de armazenamento, previsto para dezembro, com o objetivo de contratar recursos que possam armazenar energia em momentos de excesso e disponibilizá-la durante períodos de alta demanda.
Zucarato observou que a matriz elétrica requer novos ativos para melhorar a capacidade de atender às necessidades do sistema, referindo-se à importância de diversificar as tecnologias utilizadas. Além disso, os níveis de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas estão em condições semelhantes às de 2025, embora o perfil da demanda e da geração renovável tenha evoluído.
O diretor do ONS concluiu que o crescimento da “curva do pato” impõe desafios adicionais ao atendimento da carga e à velocidade necessária para aumentar a geração de energia durante os horários críticos de consumo.




