A Fifa decidiu nesta segunda-feira, 15, não punir o assistente de VAR Shaun Evans após investigar um gesto que foi considerado supremacista durante a partida entre Alemanha e Curaçao. A entidade máxima do futebol afirmou que não encontrou evidências de violação do Código Disciplinar, o que resultou na conclusão de que não houve irregularidade por parte do árbitro australiano.
O comunicado da Fifa também destacou a declaração de Evans, que negou ter feito qualquer gesto ou símbolo intencionalmente. Ele explicou que o movimento foi um tique involuntário e que, no momento, não estava ciente de que o havia realizado. “Entendo como o gesto foi interpretado e lamento. No entanto, quero ser muito claro e afirmar categoricamente que não fiz de forma consciente e deliberada o gesto que foi sugerido”, afirmou o árbitro.
O incidente ocorreu no domingo, 14, durante a apresentação da equipe de arbitragem na transmissão pré-jogo da partida do Grupo E da Copa do Mundo, que terminou com a vitória da Alemanha por 7 a 1. Imagens da sala do VAR mostraram Evans com o braço esquerdo estendido, e logo em seguida, ele fez um sinal associado a discursos de ódio, formando um círculo com o polegar e o indicador enquanto estendia os outros dedos.
Esse sinal, conhecido como “OK”, é associado a grupos supremacistas brancos, que alegam que ele representa as letras “W” e “P” de “White Power” (“Poder Branco”). A Liga Antidifamação (ADL), uma ONG que combate a intolerância, foi uma das entidades a identificar a controvérsia, que rapidamente se espalhou nas redes sociais, gerando acusações contra Evans.
Após o ocorrido, os árbitros de vídeo mudaram sua postura em apresentações, evitando posar para as câmeras e optando por se concentrar nas telas durante as análises. A decisão da Fifa não seguiu a recomendação do Fare network, monitor de discriminação da entidade, que havia solicitado o afastamento do assistente. O monitor questionou a razão pela qual um supervisor do VAR estaria fazendo tal símbolo em um evento global, especialmente quando ciente da presença das câmeras.
A situação levanta questões sobre a responsabilidade e a vigilância em eventos esportivos, especialmente em um contexto onde a luta contra a discriminação racial e a intolerância é cada vez mais necessária. A Fifa, ao não punir Evans, abre um debate sobre a eficácia das medidas de monitoramento e as expectativas sobre a conduta de profissionais em campo.




