A guerra contra o Irã, na visão do professor de Relações Internacionais da UFRJ, Fernando Brancoli, foi desnecessária em termos dos interesses dos Estados Unidos. Durante uma entrevista, ele comparou o atual acordo de 2026 com aquele firmado por Barack Obama em 2015, ressaltando que a situação atual traz custos inesperados para os norte-americanos.
Brancoli destacou que os EUA enfrentarão um cenário de perda de poder e prestígio na região, além de evidenciar a resistência do Irã a um ataque conjunto de forças israelenses e norte-americanas. Essa análise se estende às consequências sociais e econômicas do conflito, que incluem um aumento no número de civis mortos e impactos significativos na economia global. O professor alertou que, em decorrência da guerra, o preço dos alimentos deve subir, impactando diretamente a população mundial.
Um ponto crítico levantado por Brancoli é a importância do Estreito de Ormuz, por onde transita uma parte significativa dos fertilizantes do mundo. O conflito prejudicou a movimentação nessa via, o que pode afetar a produção agrícola nos próximos meses.
No cenário interno dos Estados Unidos, a oposição à guerra é evidente, com mais de 80% da população se manifestando contra o conflito. Esse descontentamento, Segundo Brancoli, não se baseia apenas em questões morais, mas também nas repercussões financeiras que afetam o dia a dia dos cidadãos, como o aumento nos preços de combustíveis e alimentos.
O ex-presidente Donald Trump tem buscado apresentar o acordo provisório como uma vitória, investindo em sua divulgação na mídia e nas redes sociais. Contudo, Brancoli aponta que o acordo ainda enfrenta questões não resolvidas, especialmente relacionadas ao Estreito de Ormuz. Enquanto os EUA garantem que não haverá cobrança de pedágio para navios que transitam pelo estreito, o Irã sugere a imposição de uma “taxa de logística”, que se assemelha a um pedágio.
Além disso, permanecem indefinidas as situações envolvendo o Líbano e a relação entre Israel e o Hezbollah. O especialista também criticou o estilo de negociação de Trump, que teria conduzido as conversações sem a colaboração de aliados, como Israel, o que remete a uma abordagem similar nas negociações sobre a guerra na Ucrânia.




