A cúpula do G7, que reúne as sete economias mais desenvolvidas do mundo, começa nesta segunda-feira (15) em Évian-les-Bains, na França. O evento ocorre em meio a um contexto de crescente tensão entre Os Estados Unidos e outros países do bloco, além da ascensão de potências médias que ameaçam a relevância do grupo.
Desde sua volta à Casa Branca em janeiro de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou as disputas comerciais com a Europa. Essas tensões são exacerbadas por ações da União Europeia contra grandes empresas de tecnologia americanas e o desejo de Trump de anexar a Groenlândia, território dinamarquês. O mandatário republicano ameaçou impor tarifas a países europeus que se opõem a essa ideia, incluindo França, Alemanha e Reino Unido, todos membros do G7.
Embora o foco do G7 seja econômico, as divergências se estendem a questões geopolíticas. Trump tem criticado outros integrantes da Otan, assim como o Japão, por não fornecerem apoio suficiente a Washington na guerra contra o Irã. Essa situação gera um clima de incerteza sobre a unidade do grupo em temas que historicamente deveriam promover coesão.
Em um artigo recente, o colunista Gilles Paris, do jornal Le Monde, fez uma comparação entre a cúpula atual e a realizada no Canadá em 2018, durante a primeira gestão de Trump. Naquela ocasião, o presidente americano já demonstrava descontentamento e, ao final, retirou o apoio dos EUA à declaração conjunta. Paris observa que, enquanto em 2018 as disputas eram centradas em tarifas, a situação atual abrange uma gama muito maior de questões, como comércio internacional e política energética. Trump, por exemplo, reduziu o financiamento a projetos de energia renovável e priorizou os combustíveis fósseis.
Ricardo Caichiolo, professor de relações internacionais e diretor do Ibmec Brasília, apontou que, apesar de não considerar o G7 obsoleto, o grupo enfrenta uma “paralisia funcional crônica”. Ele destaca que a impotência do bloco dos Brics, que surgiu como uma resposta do Sul Global ao G7, evidencia a dificuldade de encontrar alternativas efetivas ao grupo.
Para Caichiolo, Brasil e Índia desempenham um papel crucial como complementos práticos do G7 em pautas globais, ao mesmo tempo em que atuam como contrapontos estratégicos na governança geopolítica. O convite a esses países reflete a necessidade do G7 de buscar legitimidade em temas como transição energética e cadeias de suprimentos, áreas em que o Ocidente não detém mais controle absoluto.




